O Colégio Brasileiro de Genealogia realizou na sexta-feira, 23 de março, a cerimônia de posse de dois novos Titulares. A cerimônia ocorreu na Sala Pedro Calmon, 12º andar da Av. Augusto Severo 8, Rio de Janeiro, na sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Cerimônia de Posse de Titulares

O Colégio Brasileiro de Genealogia realizou Assembleia Geral Extraordinária, no último dia 28 de novembro, tendo como principal finalidade a eleição de associados titulares para ocuparem as cadeiras cujos últimos ocupantes haviam falecido. Foram eleitos, nessa oportunidade quatro novos Titulares, dos quais dois foram solenemente empossados: Maria Lucia Machens na Cadeira nº 7, cujo Patrono é Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca, e Paulo Stuck Moraes, na Cadeira nº 24, cujo Patrono é Mario Teixeira de Carvalho.

Na presença de uma plateia significativa, formada por diretores, associados CBG, amigos e familiares, os trabalhos foram conduzidos pela Mesa, composta pelo presidente Fernando Antonio Ielpo Jannuzzi Junior, Titular da Cadeira nº 25, o ex-presidente e atual 1º secretário, Victorino Coutinho Chermont de Miranda, Titular da Cadeira nº 11, que também representava o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB, e o decano do CBG e atual 2º tesoureiro, Attila Augusto Cruz Machado, Titular da Cadeira nº 14.Como de praxe nas cerimônias realizadas pelo Colégio, são iniciadas com a leitura as efemérides genealógicas do mês, que foram foram lidas pelo Diretor de Publicações Marcio Miller Santos.

Os novos Titulares foram saudados pelo presidente, que declarou tratar-se de dia festivo para o Colégio Brasileiro de Genealogia, primeiro porque caminhamos para os 68 anos de sua fundação e devemos ser uma das associações mais antigas em funcionamento no país, e segundo, porque, graças aos objetivos que nos unem - a investigação genealógica e o prestígio do CBG, convivemos com harmonia e com isso garantimos o futuro do projeto de Carlos Rheingantz.

Por fim, declarou presidente Fernando Antonio Ielpo Jannuzzi Junior ter o privilégio, enquanto presidente do CBG, de dar posse a mais dois novos sócios titulares, que vêm abrilhantar o nosso quadro associativo: Maria Lucia Machens, para ocupar a Cadeira 7, saudada pelo nosso decano, Attila Augusto Cruz Machado, e Paulo Stuck Moraes, para ocupar a Cadeira 24, saudado por nossa ex-presidente, Regina Cascão.

Passou-se, então, a alocução de saudação e dos diplomados, de elogio aos Patronos e ocupantes anteriores de suas Cadeiras. Ao fim das quais, houve a assinatura no Livro de Posse e a entrega de diploma.

Saudação a Maria Lucia Machens por Attila Augusto Cruz Machado

Honrado pelo amável convite de Maria Lucia Machens, atualmente Diretora Tesoureira do Colégio Brasileiro de Genealogia, professora de ensino superior, tradutora, palestrante, genealogista, paleógrafa, pesquisadora e do quadro do CBG desde 2007, procurarei ser o mais objetivo possível ao apresentá-la como novo Membro Titular desta quase septuagenária Instituição.

Nascida em Vitória, Espírito Santo, de família antiga daquele Estado e plena de intelectuais, tem Mestrado em Literatura pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES (2003), é Graduada em Letras pela PUC-RJ (1973), tem extensa passagem pelo magistério universitário, com expressiva lista de publicações e é fluente nos idiomas inglês, alemão, francês e espanhol.

Ingressando no ramo da genealogia, tem publicados artigos genealógicos e se dedicado ao aprimoramento de estudos paleográficos.

Sua última obra – Lusitanos Rumo ao Brasil (1500-1837) – vol.1 – 2017 – é fundamental para a busca pelas raízes familiares, localizando as pessoas no tempo, no espaço e no contexto social de sua época.

Fruto de longo tempo de pesquisa e consulta de milhares de documentos relacionados em diversas obras, códices e arquivos, é um trabalho longo, meticuloso e fascinante!

Por todos estes motivos, o ingresso de Maria Lúcia vem enriquecer o Quadro Social do Colégio.

Auguramos – e estamos certos – possa o novo membro ter profícua ação nos nossos trabalhos, auxiliando a manter a chama que ilumina, há quase setenta anos, enfatizo, esta vetusta Instituição.

Sede benvinda!

Discurso de Maria Lucia Machens

Ilustríssimo Sr. Presidente, do Colégio Brasileiro de Genealogia, Fernando Antonio Ielpo Jannuzzi Junior, prezados confrades, amigos e minha irmã Maria Inês de Souza Martins.

Inicialmente, agradeço as palavras carinhosas do decano do CBG, meu confrade e amigo Attila Augusto Cruz Machado.

É uma honra, muito grande, ter sido eleita para ocupar a cadeira n0 7 do CBG; distinção que me foi conferida pelos atuais Sócios Titulares, a quem muito agradeço. Também o meu muito obrigada a todos os presentes, que compartilham comigo este momento de suma importância na minha vida.

O grande Guimarães Rosa nos revela o seguinte:
“Quem elegeu a busca, não pode recusar a travessia...”
“Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos.
Ou a ausência deles. Duvida?”
Guimarães Rosa

Estas frases revelam muito o processo pelo qual caminha um genealogista. São muitas as encruzilhadas, as picadas, os desvios que percorremos; às vezes, veredas sem ponto de chegada, estradas que não levam a lugar nenhum, sem mencionar as pedras e obstáculos que precisamos transpor. Enfim, o genealogista é um incurável, incansável e obstinado pesquisador, que não desiste de nada, até conseguir encontrar a ponta do fio do novelo, que traça a sua pesquisa. É este espírito que nos une, nesta busca e resgate das origens das famílias brasileiras, situando-as na história desta nação que acolheu pessoas de todas as raças e credos.

É de praxe, que cada titular, ao tomar posse, recorde seus antecessores.

Inicialmente gostaria de fazer o meu tributo ao patrono da cadeira nº 7, o grande militar e genealogista Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca, nascido em Recife, em 25 de fevereiro de 1718. Filho de militar português com uma pernambucana.

Foi comandante da guarnição da ilha de Fernando de Noronha, depois que o arquipélago foi restaurado do domínio francês. Serviu em Lisboa como Mestre de Campo. Em 1745 era Familiar do Santo Ofício e recebeu o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo. Ao regressar ao Brasil é nomeado ajudante de ordens do Governador da Capitania de Pernambuco. Ocupou diversos cargos militares e a partir de 1765 exerceu a função de Governador e capitão-Mor da Capitania do Ceará Grande por cerca de 17 anos. Era também mestre em artes e fidalgo da casa real.

Mesmo com esta vida intensa e agitada Borges da Fonseca foi autor de diversos livros, mas o de maior importância é o seu famoso Nobiliarquia Pernambucana, considerado uma das três grandes obras clássicas de genealogia brasileira, que é composta de 4 volumes que contém as memórias genealógicas das famílias mais importantes da região norte do Brasil, com os seus dados de origem, os antepassados e descendentes de cada uma delas.

Borges da Fonseca menciona na introdução o que o levou a escrever esta maravilhosa obra, “Depois de trinta anos de exactas diligencias que fiz para descobrir as memorias que houvessem da nobreza da minha pátria, não achei mais que uns papeis avulsos que se podem copiar em uma mão de papel e alguns feitos com tão pouca aplicação que bem mostram se escreveram por acaso. Em quasi todas apenas se nomeiam as mulheres com quem casaram os sujeitos de que tratam sem muitas vezes lhe nomear os pais, e dão notícia sucinta dos filhos omitindo os que não casaram e não deixaram descendência e ainda os filhamentos, os hábitos, os cargos e os empregos que occuparam, de que eu não teria noticia mais que por tradições (que nem sempre são verdadeiras, como a experiência me tem mostrado)”.

Enfim, este quadro que Borges da Fonseca encontrou, com fios tão tênues, tramado de forma imprecisa, com poucos registros, o motivou a investigar, procurar e aprofundar e assim, permitindo mantê-los vivos na memória da sociedade. E fomos premiados com a sua Nobiliarquia Pernambucana, fruto de difíceis e constantes pesquisas de longas décadas, sendo este seu grande legado histórico e genealógico sobre as famílias do norte brasileiro.

O primeiro ocupante desta cadeira foi o engenheiro e genealogista Paulo Carneiro da Cunha, carioca, mas integrante de família tradicional pernambucana, nascido no Rio de Janeiro em 15 de abril de 1921.

Associou-se ao CBG em 1952 e foi Tesoureiro deste colégio por dois períodos. Em 1989 foi eleito por aclamação vice-presidente do colégio. Em 1990 foi eleito presidente do CBG, sendo reeleito diversos biênios consecutivos, permanecendo neste cargo até 1999.

Foi um dos fundadores da ABRASP e autor de diversas obras importantes. Dentre elas, Galeria dos Presidentes da República XIV - José Linhares – e a Genealogia dos Prefeitos do Rio de Janeiro, publicado post-mortem, ambas as obras em parceria com Carlos Rheingantz.

Lamento, não ter tido a oportunidade de conhecer Paulo Carneiro da Cunha. Sempre que ele é mencionado, chego a ficar arrepiada ao perceber aquela admiração incontestável no ar. É uma deferência respeitosa e ao mesmo tempo carinhosa, que os meus colegas genealogistas demonstram aquela grande mente, que possuía a excelência do saber, que era uma sumidade, excepcional e fascinante que conheceram, e sem sombra de dúvidas, posso afirmar, que ele se tornou um ícone do CBG. Onde quer que você esteja agora, Paulo Carneiro da Cunha, peço a sua benção.

Não poderia deixar de mencionar as minhas raízes: meu bisavô paterno, menino português que aos dez anos de idade, para escapar da pobreza, sonhando que um dia não passaria mais fome, se escondeu no porão de um brigue e se aventurou sozinho rumo ao Brasil, deixando pais e irmãos, em uma pequena aldeia de Viseu. Radicou-se em Petrópolis, onde plantou verduras e flores, depois trabalhou no comércio e com muita astúcia foi propondo ao seu patrão modernizações no estabelecimento; e anos depois, tornou-se sócio dele. Mais tarde virou comerciante, importador e construiu moradias, que arrendava para os patrícios e ainda os empregava no plantio de hortaliças e flores na região de Caxambu na serra fluminense. Hoje é nome de rua, em Petrópolis: Estrada José de Almeida Amado.

Minha avó paterna, Hormezinda de Almeida Amado, era a mais velha de suas filhas, educada no Colégio Sion, era uma rebelde para os padrões da época, escreveu artigos no jornal local de Petrópolis, O Diário, sob o pseudônimo Marutzka, defendendo o voto feminino, os direitos da mulher e foi considerada uma das primeiras feministas brasileiras. Ela casou com Rozendo de Souza Martins, um farmacêutico português, da região de Gondomar no distrito do Porto. Ele foi empregado da Casa Granado e mais tarde tornou-se o proprietário da Farmácia Central em Petrópolis.

Pelo meu lado materno, um dos meus bisavôs, José Abel de Almeida, era um lavrador português bem pobre, da região de Trás-os-Montes. Seu filho mais velho, Ceciliano Abel de Almeida, meu avô materno, tinha 23 irmãos; após as aulas, trabalhava na fazenda do Barão de Aimorés, em São Mateus, no Espírito Santo. Um dia, enquanto comia o seu farnel na propriedade de seu patrão, balançava os seus pés nas águas do Rio Cricaré, quando chegou um visitante ilustre, que imediatamente ralhou com ele dizendo − “Que menino mais preguiçoso! Vai trabalhar vagabundo!”

Educadamente, Ceciliano respondeu: − “Discordo Senhor, eu não sou vagabundo não!”

Quando o visitante chegou a casa do barão, comentou: “que menino preguiçoso e atrevido você arrumou para trabalhar na tua fazenda!”

E o barão disse ao amigo que estava equivocado, Ceciliano era um excelente trabalhador, além de ser um aluno aplicado, e bom filho e que trabalhava ali para ajudar no sustento da família.

O amigo ficou constrangido por ter sido injusto e resolveu conversar com Ceciliano. Descobriu que ele queria ser engenheiro. Levou-o para estudar em Petrópolis, em troca, Ceciliano o ajudaria nas tarefas da casa e do jardim.

Ele o matriculou no Colégio São Vicente de Paula, e depois de formado, vovô foi para a capital, onde deu aulas de álgebra, geometria e aritmética e simultaneamente estudou engenharia na Escola Politécnica.

Já formado ajudou a construir diversas estradas de ferro, dentre elas, a Central do Brasil e a estrada de Ferro Vitória a Minas.

Ao retornar ao Espírito Santo ingressou na vida política e foi o 1º prefeito de Vitória. Implantou a rede de água e esgoto e colocou energia elétrica em Vitória. Criou e foi o 1º reitor da Universidade do Espírito Santo. Foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e da Academia Espírito-Santense de Letras e autor de “o desbravamento das Selvas do Rio Doce”.

Casou em 2as núpcias com uma das filhas do Barão de Aimorés, Rita Vieira da Cunha, minha avó materna, que apesar de ser filha de um abastado nobre, era analfabeta e foi Ceciliano quem a ensinou: a ler e escrever. Hoje é nome do centro de pesquisa da UFES, Fundação Ceciliano Abel de Almeida.

A avó paterna de Rita, a mãe do barão, era descendente da família Vieira Machado da Cunha. Ela teve uma atuação muito importante no norte capixaba, e foi outra grande feminista da família e fez algo inédito, até impensável, para uma mulher de sua época; embora, seu marido, o comendador, pertencesse ao partido do imperador, ela foi presidente do Partido Liberal, de oposição ao imperador. Ela apoiava os escravos fujões e os permitiu criarem um quilombo em sua propriedade. Era por seu intermédio que a farinha de mandioca produzida no quilombo local era vendida e exportada. Ninguém tocou neste quilombo enquanto ela viveu. D. Rita virou lenda naquela região.

Seu filho, Antônio Rodrigues da Cunha, o Barão de Aimorés, meu bisavô materno, foi um grande cafeicultor e é considerado um pioneiro na introdução de equipamentos hidráulicos importados para a produção do açúcar em seu engenho. Ele figura como um dos maiores proprietários de escravos de São Mateus, no Espírito Santo; mesmo assim alforriou seus escravos antes da abolição e contratou emigrantes italianos vindos da região do Veneto para trabalhar em sua propriedade.

Não poderia deixar de mencionar meus pais. Dinah, minha mãe, tinha sede de conhecimento; em uma época que mulher raramente estudava, foi uma das duas mulheres da primeira turma da faculdade de Farmácia; depois veio trabalhar no Rio de Janeiro e formou-se em Direito.

Meu pai, Mario de Souza Martins nasceu em Petrópolis. Iniciou sua carreira na área de jornalismo esportivo, escreveu para o Diário Carioca e A Crítica até fundar O Mundo Esportivo em parceria com Mario Filho em 1932. Trabalhou com Nelson Rodrigues até que o jornal foi fechado.

Escreveu para diversos jornais, dentre eles O Radical. Apoiou o candidato à presidência José Américo de Almeida, mas, as eleições foram canceladas quando Getúlio Vargas instituiu o Estado Novo, ao qual ele fez uma oposição ferrenha e em consequência foi preso diversas vezes.

Defendeu a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial e fez parte da comitiva de jornalistas enviados à Inglaterra. Lá entrevistou Churchill. Foi agraciado com a Medalha Real da Grã-Bretanha, pela causa da Liberdade.

Em 1944 fundou o jornal A Resistência, que combatia o Estado Novo e pregava a deposição de Getúlio Vargas e a convocação de uma Constituinte.

Participou da criação da UDN. Foi vereador e deputado federal pela UDN; defendeu a posse de Juscelino; e foi coautor do projeto propondo a fusão da cidade do Rio de Janeiro com o estado do Rio de Janeiro.

Carlos Lacerda e papai eram amigos de infância, companheiros em atividades políticas e no jornalismo. Papai apoiou sua candidatura para governador da Guanabara, mas em 1961 devido a divergências políticas, brigaram e papai renunciou ao seu mandato de deputado federal, devolvendo-o ao seu partido. Ele disse na ocasião: “o mandato não me pertence, mas ao partido”, parece que até os dias atuais, foi o único político brasileiro que realizou tal proeza.

Comprou o jornal A Noite onde defendeu a posse de Jango. Depois no Jornal do Brasil e na Revista Manchete fez oposição aos militares quando percebeu que não fariam a transição para um governo civil. Lacerda e ele se uniram novamente, criaram o MDB em 1966 e foi eleito senador em 1967. Participou da Frente Ampla que queria restaurar a democracia no país. No congresso denunciou os casos de corrupção e de perseguições políticas, de prisões ilegais praticadas pelo regime militar, e devido a sua postura foi preso em dezembro de 1968 na Vila Militar e depois cassado em fevereiro de 1969, perdendo os seus direitos políticos por 10 anos.

Foi Conselheiro da ABI, apoiou as Diretas Já e também a candidatura de Tancredo. Foi Membro da Comissão de Estudos Constitucionais encarregada de elaborar o anteprojeto constitucional para a Constituição de 1988 e assessor do senador Afonso Arinos. Representou a ABI no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.

Mario de Souza Martins foi declarado anistiado político ”post mortem” pela justiça brasileira e em 20 de dezembro de 2012, em sessão solene no Senado Federal, foi devolvido simbolicamente à família, seu diploma e seu broche de senador.

Sou a quinta filha, a do meio, de nove filhos. Nasci em Vitória, ES. Casei-me na Alemanha, onde vivi 21 anos, divorciei-me e voltei para o Brasil. Desta união nasceu em 1978 minha filha Elisa Machens.

Entrei para o CBG por indicação de Laís Ottoni Barbosa Ferreira, segunda e última titular desta cadeira, a quem tenho a honra de suceder; só lamento de não tê-la agora aqui entre nós, com sua elegância, conhecimento e a precisão de seus inúmeros ensinamentos transmitidos nos nossos inesquecíveis encontros. Bebi muito desta fonte maravilhosa, que me mostrou muitas veredas genealógicas, políticas, históricas e a quem muito devo.

Autora de diversas obras genealógicas, dentre elas Os Ottoni, Descendentes e Colaterais, na qual descobri que Laís e eu éramos descendentes da mesma pessoa, do Sr. José Vieira Machado de Freitas, aquele português de Açores, que em Minas Gerais teve 18 filhos e se encarregou de multiplicar a família neste imenso Brasil. O mesmo patriarca ancestral dos barões da Aliança, do 1º e 2º Barão do Rio das Flores. Já sabia que alguns Ottoni faziam parte da minha genealogia, mas foi na obra de Laís que encontrei este elo com a família Vieira Machado da Cunha, ao descobrir que a esposa de Manoel Vieira Machado da Cunha, minha tetravó Escolastica Agueda Vieira de Souza, estava enterrada em São João del Rei, MG. Até então, procurava os meus antepassados no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

Foi simplesmente fantástico! Este é um sentimento que muitos genealogistas conhecem, quando finalmente fazem aquele grande achado e se conectam definitivamente com o seu núcleo familiar. E é com este intuito que assumo esta cadeira de titular, afim de dar continuidade a este grande núcleo genealógico que o Colégio Brasileiro de Genealogia congrega. Muito obrigada pelos votos dos que me elegeram.

Saudação a Paulo Stuck Moraes por Regina Cascão

Todos os que aqui estão hoje são, de algum modo, envolvidos com genealogia, que quer dizer História da Família. Assim, em ocasiões como esta eu me sinto sempre em meio a familiares. Portanto, início muito à vontade cumprimentando:

Boa tarde a todos: presidente Jannuzzi, componentes da Mesa, diretores presentes, confrades, senhores convidados.

Esta é a segunda vez que me encontro aqui neste “púlpito”... A primeira vez foi em minha própria posse, na Cadeira 28, para louvar o Patrono Orlando Cavalcanti e o único antecessor Olavo de Medeiros Filho.

E eu começo contando que uma das minhas (chamemos de) “paixões culturais” é a maior poetisa viva do Brasil, a mineira Adélia Prado. Pois uma vez, há vários anos, escrevi-lhe uma carta, endereçada apenas com seu nome e a cidade Divinópolis, MG, onde ela nasceu e vive. Pois mesmo assim carente de informações, a carta chegou a ela e foi respondida, para minha emoção!!! Num cartão simples, que eu não mostro agora porque não o tiro de casa, por puro zelo, ela escreveu:

Regina, bendita seja a poesia que nos faz tão felizes!

Evidente que não estou aqui para falar de mim, nem de Adélia, nem de poesia. Gostaria apenas que os que me ouvem guardem essa frase, que eu nunca esqueci. Mais adiante ela vai fazer sentido nesta apresentação.

Pois bem, há uns dias, recebi um telefonema do Paulo, pedindo-me que o apresentasse nesta solenidade de posse. Fiquei feliz e aqui estou.

O novo Titular da Cadeira 24, Paulo Stuck Moraes, nasceu em Londrina, Paraná em 25.01.1957, tendo, portanto, completado 61 anos recentemente. É um tanto suíço pelo Stuck de Archimedes, avô paterno, pai de Manoel e outro tanto italiano pelo Chiappetta de Raphaella, avó materna, mãe de Leonor.

Começou a trabalhar bem jovem e foi auxiliar de escritório em três empresas e digitador no Bradesco. Façamos aqui parênteses: embora sua biografia o apresente como bancário aposentado, não foi no Bradesco que atingiu aposentadoria... Eu fui colega de profissão de Paulo, e mesmo estando fora de atividade há mais de 20 anos, ainda lembro: devido à alta rotatividade de seu pessoal, a categoria costuma dizer que há três coisas que não existem: cabeça de bacalhau, enterro de anão e aposentado do Bradesco... Ninguém fica tanto tempo no Bradesco para se aposentar por lá! Fechemos os parênteses.

Depois dos empregos de auxiliar de escritório e digitador, veio o concurso para o Banco do Brasil e, aprovadíssimo, acaba por interromper em 1975 o curso na Faculdade de Ciências Contábeis da Universidade Estadual, em Londrina.

Começa seu trabalho no BB em 1976, no interior do Paraná. Contrai matrimônio, torna-se pai de uma menina, e segue sua vida. Mais adiante, cerca de seis anos depois – se a memória não me falha –, vem um concurso interno no banco. Mais uma vez Paulo é aprovado, sendo desta vez designado para outro Estado, passando a exercer novas funções no Espírito Santo.

E aí surge sua nova paixão, na verdade uma grande devoção. E não se trata de uma devoção, digamos, “suave” ou controlada ou mesmo comum: não se concentra em nenhum beato ou santo, como sói acontecer... Paulo foi direto a nada mais nada menos que um dos membros da Santíssima Trindade – o ESPÍRITO SANTO.

Pois é, ali se radicou definitivamente, ali divorciou-se, ali contraiu novas núpcias, ali aposentou-se em 2007 e ali vem pesquisando, estudando, e divulgando a história e a genealogia capixabas. Paixão avassaladora e crescente...!

A jornada profissional passou então a dividir espaço com a estrada acadêmica.

Em 1987 retorna aos bancos escolares, e em 1992 gradua-se em História pela Universidade Federal do Espírito Santo, a UFES. Enquanto frequenta cursos de Contabilidade, Negociação, Noções de Administração, Organização & Métodos, Análise Financeira de Crédito, Análise de Operação de Créditos pelo Banco do Brasil, paralelamente lá vai ele com

- Métodos e técnicas de pesquisa histórica na UFES
- Elaboração de Projetos e Fomento p/área Museológica, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Brasília;
- Plano Museológico – também no IPHAN;
- Gestão cultural – no SEBRAE/ES
- Conservação – Acervos de Papel – na UFES
- Métodos Estatísticos de Análise Variada, num convênio com uma entidade francesa com a UFES e, dado o inerente interesse em documentos antigos, pasmem! foi até mesmo aprender sobre tinturas extraídas de elementos da natureza para uso em tecidos e papéis, também na UFES.

Tanta dedicação a seu “novo Estado” trouxe-lhe

- a Comenda Mestre Álvaro, da ALEAS - Academia de Letras e Artes de Serra- ES;
- Honra ao Mérito da Câmara Municipal de Vitória, por ocasião dos Cem Anos do Instituto Histórico e Geográfico do ES - IHGES;
- e a Comenda do Mérito Legislativo Rubem Braga, da Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
Suas pesquisas genealógicas começaram no CHF – Centro de História da Família que havia próximo à sua casa, e nunca mais essa prática foi abandonada. Sem que abandonasse o registro de suas origens paranaenses, foram a genealogia e a história do Espírito Santo ampliando seus domínios em seu coração e seu espírito, cientes ambas – genealogia e história - de que são conquistadoras e é difícil resistir a seus encantos.

E Paulo realmente mergulhou na História e na Genealogia... e digo-lhes, senhoras e senhores, que permanece imerso nelas. Sua disposição, seu entusiasmo e principalmente sua capacidade o tornaram membro do IHG Paranaense, da Academia Cachoeirense de Letras (Cachoeiro de Itapemirim, ES); do IHG e Genealógico de Campinas-SP; e do IHG do Espírito Santo, onde é vice-presidente muito atuante desde 2008.

Seus, até agora, 36 anos de Espírito Santo não vêm nem por um segundo passando em branco, em termos de dedicação à memória e à cultura do Estado! Em sua trajetória apaixonada, foi levado certamente, como diria nosso Carlos Eduardo Barata, a beber no conhecimento contido nas obras daqueles que vieram antes a contar para nós sobre a história e a genealogia capixabas.

Paulo inspirou-se em Antonio Marins com seu “Minha Terra e meu município”, de 1920, que fez entender o povoamento do ES, com um “quem é quem” dos primeiros sesmeiros e sua GENEALOGIA; e em Heribaldo Lopes Balestrelo, em “O Povoamento do Espírito Santo”, de 1976, para entender a colonização do interior do estado.

Percebeu com nitidez que nosso saudoso Carlos Xavier Paes Barreto não era tão somente nordeste e Pernambuco, e foi municiar-se das preciosidades no trabalho dele para o Congresso de História Nacional de 1938, o conhecido “A terra e a gente do Espírito Santo”.

Viajou por terras goitacás do norte fluminense ciceroneado por Fernando José Martins em sua “História do Descobrimento e Povoação da Cidade de São João da Barra e dos Campos dos Goitacases” de 1868; pelo inesquecível e de tantas saudades Gilson Nazareth, com seus registros implacáveis, e pelo cebegeano Marco Polo Dutra, tenaz estudioso detentor de poderoso acervo, quando os três com facilidade mostraram-lhe que, em incontáveis ocasiões, é impossível dissociar famílias fluminenses de famílias capixabas.

Serviu-lhe de guia até mesmo Carlos Rheingantz, idealizador e fundador do CBG, que lista nas primeiras famílias do Rio de Janeiro os Azeredo Coutinho de origem capixaba.

E para consolidar sua dedicação, para prová-la documentadamente, Paulo vem participando de simpósios, encontros e seminários; tem inúmeros artigos publicados na revista do IHGES; alcançou, recentemente, a realização de um sonho: desde 2017 edita a “Genea – Revista Capixaba de Genealogia”, cujo terceiro número está prestes a sair; além de ser autor de seis obras: Evolução demográfica do Espírito Santo:1940-1991 (1999); Renato José Costa Pacheco [1928-2004] – ascendência, descendência e colaterais (2007); Tópicos de Genealogia Capixaba (2012); Nobreza capixaba (2013); Vasco Fernandes Coutinho: fontes para sua biografia, antes da vinda para o Brasil (2015); Aspectos biográficos dos governantes do Espírito Santo (2016).

Conto-lhes que, em novembro de 1989, o Colégio recebeu o estimado confrade Marcus Benatti Antonini Rangel Pimentel, reconhecido por seus acervo e trabalho sobre o Espírito Santo e sua gente. E dezoito anos e meio depois, em julho de 2008, deu-se o ingresso de Paulo Stuck Moraes, detentor de duas Menções Honrosas em certames organizados pelo CBG sobre obra genealógica de destaque em triênio de publicação. Meu tempo nesta Casa, aí incluídos 11 anos na diretoria, garante-lhes que o CBG tem orgulho de ter esses dois genealogistas, tão capixabamente espirito-santenses, em seu Quadro.

Pois bem, senhoras e senhores, neste momento registrem-se meu prazer, minha honra e minha alegria em receber formalmente o novo Titular, na cerimônia de sua posse.

Na certeza de que, onde quer que estejam, saúdam-no os fundadores Carlos Grandmasson Rheingantz, Alberto Carlos d' Araújo Guimarães, Elysio Moreira da Fonseca, Gilda de Azevedo Becker von Sothen, Gisèle Maria Coelho de Almeida Goulart, Horácio Rodrigues da Costa, Laura Ganns Sampaio, Luiz Philippe de Sá Campello Faveret, Marieugênia Catta Preta de Faria, Rui Vieira da Cunha, Sérgio de Almeida Lamare e Sylvia Nioac de Sousa Prates, apresento-lhes Paulo Stuck Moraes, o novo Titular da Cadeira nº 24 do Colégio Brasileiro de Genealogia.

E, relembrando o início desta fala, parafraseando Adélia Prado finalizo, a ele dizendo: Salve, amigo Paulo, bendita a Genealogia que nos faz tão felizes!

Discurso de Paulo Stuck Moraes

Boa tarde.

Foi com muita honra que recebi a notícia na minha eleição para ocupar a Cadeira nº 24 do Colégio Brasileiro de Genealogia. É uma honra, tanto para mim, quanto para o estado do Espírito Santo, pois agora a Genealogia Capixaba volta a ser representada na principal organização que se dedica a este tipo de estudo. Integrar a entidade mor da Genealogia brasileira, agora como titular de uma de suas cadeiras acadêmicas, só vem confirmar que ter escolhido a Genealogia não representava apenas um hobby, como acham alguns, mas sim um trabalho de vulto e de grande auxílio à História e a preservação e descobertas de dados e fatos familiares que ficariam obscuros ou escondidos, se nós, genealogistas, não os recuperássemos das brumas do passado. Estar ombreado a nomes do passado como Rui Vieira da Cunha, aliás o primeiro capixaba deste Colégio, Carlos Grandmasson Rheingatz, Lais Ottoni Barbosa Ferreira, Frieda e Egon Wolff, Gilson Caldwell do Couto Nazareth e do presente como Francisco Antonio de Moraes Accioli Dória, Victorino Coutinho Chermont de Miranda, Marcelo Meira do Amaral Bogaciovas, Carlos Eduardo de Almeida Barata, Nelson Vieira Pamplona, Regina Cascão, Dalmiro da Motta Buys de Barros é uma tarefa hercúlea, dada a gama de trabalhos executados por eles.

Incipientemente, comecei pesquisas genealógicas ainda na minha juventude, em meados dos anos 70 do século passado. A vida profissional, bancário que fui, levou-me a deixar de lado as pesquisas, só retomadas há cerca de 20 anos, ao descobrir, ao lado de onde morava, um Centro de História da Família, dos Mórmons. Reiniciei então, as pesquisas familiares e, ao mesmo tempo, iniciei pesquisas sobre famílias capixabas, a princípio com auxílio dos famosos microfilmes, e depois ampliando as fontes de pesquisa. Hoje, detenho um arquivo com mais de 130.000 nomes, não só capixabas, mas, junto com outros pesquisadores capixabas, estamos desvendando vários “nós” familiares e começamos, no ano passado, a divulgação dessas pesquisas, editando a Revista Capixaba de Genealogia, de edição restrita, posto os custos de produção. Os dois números já editados encontram-se na biblioteca deste Colégio, para consultas dos interessados.

Passo agora à lembrança e homenagem ao Patrono da Cadeira nº 24 e aos meus dois antecessores.

Mário Teixeira de Carvalho: O patrono da Cadeira nº 24, desde prestigioso Colégio é Mário Teixeira de Carvalho, gaúcho de Porto Alegre, onde nasceu a 4 de fevereiro de 1906. Estudou na melhor escola de Porto Alegre, o Colégio Anchieta, e, ainda universitário, dividia-se entre suas duas vocações, o jornalismo e a medicina. Como jornalista, iniciou em O Jornal, aqui do Rio de Janeiro, chegando a redator no Correio do Povo, em sua cidade natal.

Formado em 1932 pela Escola de Medicina da Universidade do Rio Grande do Sul, na área de Fisiatria, exerceu sua profissão em Porto Alegre, e foi Chefe do serviço de Assistência aos Alienados do Hospital Municipal São Pedro e foi um dos fundadores do antigo Hospital das Clínicas, hoje Hospital Materno-infantil Presidente Vargas.

O diagnóstico de tuberculose, adquirida do contato com seus pacientes, e, na época, sem possibilidades de tratamento, interrompeu seu último empreendimento, uma Clínica de Medicina Fisioterápica, especialidade em que foi pioneiro no Rio Grande do Sul.

Mário Teixeira de Carvalho foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, da Academia Rio-grandense de Letras, dos Institutos de Estudos Genealógicos do Rio Grande do Sul e de São Paulo, da Sociedade de Geografia de Lisboa, do Colégio Heráldico de Roma e do Colégio Heráldico de Varsóvia.

Escreveu: O nascimento de Gaspar Silveira Martins – tese (1936), Memória da criação do serviço de Correio na província de São Pedro – ensaio (1936), História da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul (1938), Estandarte da antiga Câmara Municipal de Rio Pardo – monografia (1939), A família Pinto Bandeira - monografia (1940), Catálogo de Inventários de Alegrete – artigo (1941), o Regimento dos Dragões – Notas documentais - artigo. No entanto, sua maior obra veio a lume ainda em 1937, o grandioso Nobiliário Sul-rio-grandense, talvez a maior obra da genealogia gaúcha. Baseada em documentos existentes no Arquivo Público gaúcho, descreve a genealogia, a heráldica e a biografia dos titulares do Rio Grande do Sul. É uma obra preciosa que contem desenhos e retratos a bico de pena, índices de titulares e fidalgos, além de índice de apelidos de família.

Mário Teixeira de Carvalho casou-se em 12 de setembro de 1933, com Aricy Rizzo Simon, com quem teve 3 filhos: Miguel, Maria Ermínia e Heloísa Helena.

Faleceu em Porto Alegre, em 20 de setembro de 1945, com apenas 39 anos de idade.

Américo Arantes Pereira: O primeiro ocupante dessa cadeira foi o paulista Américo Arantes Pereira. Natural de Pederneiras, nasceu a 24 de fevereiro de 1921, filho de Josino Florêncio Pereira e Ducília Adelina Arantes. Iniciou seus estudos em 1930, em Jaú, e, mais tarde, em Campinas, onde concluiu o ginásio, e fez o preparatório para a faculdade, a princípio pensando em cursar Direito, mas acabando por optar por Odontologia, tendo se formado em 1945. Fez vários cursos de aperfeiçoamento em São Paulo, abrindo, a seguir, consultório em Pederneiras. Em 1955 muda-se para Ribeirão Preto, exercendo a profissão até aposentar-se, em 1975.

Participou do Movimento Familiar Cristão e da Associação Odontológica de Ribeirão Preto, exercendo diversos cargos nessas duas entidades. Proprietário da Fazenda Bom Retiro, em Cravinhos, também se dividia com a atividade agropecuária.

Casou-se em 19 de março de 1949 com a professora Leny de Oliveira Meirelles.

Além das atividades profissionais exercidas, os estudos genealógicos ocupavam mais uma parte do seu dia a dia. Esses estudos o levaram ao Instituto Genealógico Brasileiro e ao Instituto Histórico e Geográfico de Campanha (MG). Neste Colégio foi admitido em 1988, ascendo à Cadeira nº 24 naquele mesmo ano.

No campo da genealogia, escreveu: A família Pereira – Descendentes de Domingos Antonio Pereira (1986) e A Família Arantes (1993), este último em parceria com Arnaldo Arantes e publicada apenas após sua morte.

Faleceu em Ribeirão Preto (SP) em 16 de novembro de 1991.

Verificando dados constantes na página Geneal, sobre meu antecessor, pude constatar sermos aparentados, 11º primo, como assevera o programa genealógico que utilizo. Eu, 11º neto e ele 9º neto de José Correia de Lemos, que seria, por coincidência, capixaba, segundo Silva Leme...

Betty Antunes de Oliveira: Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 13 de maio de 1919. Era filha de Ricardo Pitrowsky e Eugenia Thomas Pitrowsky. Casou-se na cidade do Rio de Janeiro em 14 de janeiro de 1938 com o Pr. Albérico Antunes de Oliveira. Era formada em jornalismo, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Piano e Órgão, com Composição e Regência pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Era bacharel em Ciências e Artes da Educação, formada pelo Colégio Batista, do Rio de Janeiro.

Foi membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil, da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia e sócia correspondente do Instituto Histórico, Genealogia e Genealógico de Sorocaba. A este Colégio associou-se em dezembro de 1988, ascendendo à Cadeira nº 24 após o falecimento de Américo Arantes Pereira.

Profissionalmente, foi professora do Colégio Estadual do Amazonas e da Escola Técnica do Amazonas, além de Coordenadora para Assuntos Culturais, da Secretaria da Educação e Cultura do Amazonas. Já no Rio de Janeiro, trabalhou no Setor de Música da Biblioteca Nacional. Aposentou-se pelo Ministério da Educação e Cultura, em 1979.

Sua obra apresenta vários estudos que se referem à imigração americana para o Brasil, como North American Imigrations to Brazil - Tombstone Records of the Campo Cemetery, Santa Bárbara (SP) (1978), Movimento de Passageiros Norte-americanos no Porto do Rio de Janeiro (1860-1890) (1981)

Biografia de Antônio Teixeira de Albuquerque, o Primeiro Pastor Batista no Brasil (1880) (1982), Centelha em Restolho Seco, uma Contribuição para a História dos Primórdios do Trabalho Batista no Brasil (1985 e 2005), Do Arado ao Cajado (biografia de seu pai) (ainda inédito) além de outros estudos sobre imigração norte-americana em Santa Bárbara do Oeste (SP) e pomerana no Rio Grande do Sul.

Sempre será lembrada como uma grande historiadora da cultura Norte-Americana. Seus livros sobre a imigração contribuem para a preservação de nossa história. Faleceu no Rio de Janeiro em 11 de outubro de 2016.

Assim, em rápidas pinceladas, relembramos o patrono da Cadeira nº 24, bem como os dois ocupantes que me antecederam nela. Tudo farei para estar à altura dos meus antecessores e justificar condignamente a honraria que me foi concedia, a qual assumo agora. Muito obrigado.

Discurso de Gustavo Almeida Magalhães de Lemos

Não podendo comparecer a solenidade do dia 23 de março, o novo Titular Gustavo Almeida Magalhães de Lemos, tomou posse, nos termos estatutários, em reunião da Diretoria do CBG realizada em 3 de abril de 2018, a qual foi prestigiada por associados como os titulares Nelson Vieira Pamplona e Victorino Coutinho Chermont de Miranda, que entregou o diploma ao novo titular.

Transcreve-se abaixo o discurso que Gustavo Almeida Magalhães de Lemos preparou para a solenidade de posse.

Ser sócio titular do Colégio Brasileiro de Genealogia, no meu entender, não é penas uma homenagem e reconhecimento. É uma responsabilidade que meus confrades me atribuem com o futuro de uma atividade que passa por profundas transformações e que o patrono e o meu antecessor na cadeira que estou a assumir souberam honrar.

O patrono da cadeira 22 para a qual fui eleito é Pedro Caldeira Brant, nascido em 20/08/1814 e falecido a 17/02/1888, Gentil-Homem da Imperial Câmera e Grande do Império, agraciado com o título de Conde Iguaçu pelo imperador Pedro II em 02/12/1840. Filho do Marquês de Barbacena, Felisberto Caldeira Brant, foi casado em segundas núpcias com uma filha do imperador Pedro I com a marquesa de Santos.

Autor de um belo trabalho ainda inédito intitulado “Memórias Genealógicas e Históricas da Família Brant e Outras”, com 149 páginas manuscritas e 81 brasões desenhados por Luiz Aleixo Boulanger, depositado na Biblioteca Nacional e que pode ser consultado na página da instituição. Como sempre acontece entre antigas linhagens mineiras, encontrei no seu trabalho diversas ligações de membros de sua família com parentes colaterais meus.

A cadeira até 2016 foi ocupada por um único titular: Gilson Caldwell do Couto Nazareth, um dos maiores genealogistas que o Brasil conheceu e meu particular amigo por muitos anos.

Gilson nasceu no Rio de Janeiro em 06/03/1936. Sua mãe tinha a mesma idade e foi colega de turma de um dos fundadores do CBG, Carlos Grandmasson Rheigantz, que despertou no jovem Gilson o interesse pela pesquisa, ainda criança. Por ocasião da fundação do Colégio, Gilson com 14 anos foi impedido pelo Carlos de ser sócio fundador, por sua pouca idade. Ficou furioso e nunca o perdoou por isso. Ambos tiveram uma relação conturbada na primeira fase do CBG entre 1950 e 1978. Foi um dos principais colaboradores das transcrições dos Registros Paroquiais que compuseram o principal patrimônio da nossa instituição, que é o seu fichário.

Gilson foi um grande intelectual, estudou Arquitetura, Direito e Museologia. Mestre em Educação pela UERJ e Doutor em Comunicação pela UFRJ, com a tese “O Imaginário Fidalgo de uma Sociedade Burguesa”, totalmente baseada em suas pesquisas genealógicas. Um dos responsáveis pela implantação do primeiro curso de Arqueologia no país. Em 2001, fundou o Grupo de Estudos de Genealogia da AMAL (Associação de Moradores e Amigos de Laranjeiras) onde atuei como coordenador. Fui seu auxiliar direto na organização dos encontros semanais e lançamos em 2002 o I Seminário de Genealogia do Rio de Janeiro, que contou com numerosa plateia.

Além disso, Gilson foi um grande agitador cultural; organizava saraus literários e exposições de arte; editou por muitos anos a Revista Internética João do Rio, com artigos de política, arte, filosofia e genealogia, que ainda podem ser vistos na rede. Tive o prazer de participar dos encontros semanais em sua casa do Grupo de Estudos de Filosofia Deventer, realizados até a proximidade do agravamento do seu estado de saúde.

Gilson tinha um carinho especial por dois entusiastas de genealogia em tempos diferentes: Carlos Eduardo de Almeida Barata e eu. Não escondia orgulho de nós e dizia que apesar de muito diferentes, nossos perfis eram complementares. Para ele, o Barata é um pesquisador nato, talvez o maior de todos os tempos, até mesmo em termos mundiais. Eu, um teórico, pensador, preocupado com metodologia de pesquisa e os rumos da nossa atividade. Na verdade, os dois representavam uma espécie de síntese dele mesmo. Gilson legou para o Barata seu arquivo pessoal, com dezenas de milhares de fichas, e para mim sua produção intelectual.

Por muitos anos recusei minha candidatura para sócio titular do CBG. Não me sentia bem em disputar uma vaga no Olimpo com meus colegas desejosos de fazer parte dessa elite. Mas não pude recusar o chamado para ocupar a vaga do meu mestre. A maioria dos titulares que me elegeram sabiam disso, e o resultado foi uma eleição praticamente unânime. Apenas um voto em branco.

Minha identificação com o Gilson surgiu em uma época em que estava completamente desiludido com o rumo das pesquisas, que seguiam em direção contrária ao método científico. O mundo estava mudando, mas ainda se faziam pesquisas como no século XVIII, mesmo na era da informática. As plataformas e instrumentos evoluíram, mas as pesquisas, não. Compartilhei minhas angústias com o Gilson, que achava que eu estava certo e a melhor maneira seria modificar isso. Foi criado o citado Grupo da AMAL e ele deu a oportunidade de fazer minha primeira palestra sobre o tema em 04/01/2002: “A Genealogia como Forma de Conhecimento”. Seguiram-se muitas outras até hoje.

Em junho de 2005, foi realizado no Salão Pedro Calmon do IHGB o I Congresso de Genealogia do Rio de Janeiro. O então presidente do CBG, Dalmiro da Motta Buys de Barros, que acompanhava o meu percurso em prol da melhoria qualitativa das pesquisas, convidou-me para fazer uma comunicação no encerramento do evento. Apresentei o trabalho “A Genealogia no Século XXI – Metodologia de Pesquisa”, que foi publicado na revista Brasil Genealógico. Ao saber que meu mestre estaria na plateia e com a certeza que interromperia minha fala para criticar algo, resolvi apresentar o trabalho só para ele alguns dias antes. Fez suas observações, mas felizmente não precisei modificar nada, já que suas discordâncias eram defensáveis. Creio não ter comentado o assunto com ninguém.

Gilson foi muito combativo em defesa de suas ideias e com tais atitudes angariou “inimigos”, que na verdade eram amigos e admiradores, dos quais se afastou. Nos seus últimos anos de vida afastou-se da genealogia para dedicar-se com mais ênfase às atividades já descritas.

Como foi dito no parágrafo de abertura, minha responsabilidade é imensa ao assumir esta função. Tenho que ajudar o CBG a enfrentar os desafios do futuro e colocarmos a genealogia do Brasil no século XXI. Os desafios não são poucos; ao longo das últimas duas décadas dois fatores revolucionaram nossa atividade: a entrada em cena da internet e as pesquisas de ancestralidade por exames de DNA. A internet trouxe um novo fôlego e novos pesquisadores, que muitas associações genealógicas do mundo souberam aproveitar e trazer para o seu convívio. Apenas na administração Dalmiro, quase dez anos após o início da internet no Brasil, o CBG criou seu site, que poderia tornar-se um grande portal de pesquisa, mas tal não aconteceu por falta de continuidade. Hoje, os melhores portais de genealogia do país são feitos por abnegados pesquisadores.

Mas o maior desafio está na genealogia genética. Não tenho dúvida que o futuro da nossa atividade está aí e precisamos recuperar o atraso. Os grupos de discussão já superam em larga margem os da genealogia tradicional; faço parte de um com mais de 2.600 membros, número jamais alcançado por um grupo de pesquisa documental. E a idade média é muito baixa, o que sinaliza o interesse dos jovens, e que podemos fornecer a eles o complemento das pesquisas: a identificação pessoal dos grupos étnicos revelados nas pesquisas de DNA autossômico. Urge trazer esta garotada para dentro do CBG antes que se organizem e criem uma associação genealógica mais moderna e afinada com os novos tempos, tornando obsoletas todas as demais, como o CBG. Para esses jovens, nossos trabalhos podem ser encontrados em livros e na própria internet e a metodologia de pesquisa não é muito complicada e pode facilmente ser assimilada. A velocidade na troca de informações é assustadora e os exames podem identificar parentes próximos que nem sequer tínhamos conhecimento.

Como podem ver, os desafios estão aí. Cabe à diretoria do CBG e a seus titulares liderarem esta renovação para não mergulharem nossa instituição no anacronismo. Temos em nosso quadro de associados pessoas capacitadas a conduzir esse processo e colocar o CBG na trilha do futuro. Nosso nome e tradição ainda pesam e precisamos aproveitar a oportunidade que surge para conduzir tal renovação, já com atraso, mas ainda é tempo.

Gilson vai fazer muita falta, nunca teve medo de novas tecnologias. Acompanhava com paixão meus relatos sobre as novas descobertas sobre imigração e formação de povos do Projeto Genographics, do National Geographics. O projeto está demolindo quase tudo o que se sabia sobre o assunto com provas irrefutáveis. É a História sendo reescrita pela genética e a genealogia também está no mesmo barco.

Agradeço a todos pela presença e espero poder honrar a confiança que os titulares depositaram em mim, e principalmente honrar a memória do meu mestre Gilson Caldwell do Couto Nazareth e Pedro Caldeira Brant.