Palavras do Presidente

Prezados Confrades,

Agradeço aos que se uniram a mim para compor a chapa que se apresentou às eleições do CBG, e aos que deram seu voto de confiança para mais um período à frente desta respeitável instituição.

A principal proposta desta gestão é ajustar o Colégio às necessidades do presente e às demandas do futuro, sem deixar de lado suas tradições. Contamos com o apoio e a participação efetiva de todos vocês.

Fernando Jannuzzi

Associados são Notícia

  • Adauto Ramos nos conta de dois acontecimentos de sua jornada acadêmica no Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, ocorridos em 19.11.2017: sua posse solene na Cadeira nº 1, cujo patrono é Trajano Pires Nóbrega, e o diploma que lhe foi conferido em reconhecimento “pelo contributo que vem prestando à cultura do Estado da Paraíba quando, por seis mandatos, esteve à frente da Diretoria.” O CBG saúda e parabeniza o confrade.
  • Stanley Savoretti de Souza ministrou o minicurso "Pesquisa genealógica de Famílias Italianas", como parte da programação do “8º Seminário da Imigração Italiana em Minas Gerais”, realizado de 28.05 a 02.06 em Belo Horizonte-MG. E ultima os preparativos de um novo trabalho, onde abordará o mesmo tema (imigração italiana em MG), apresentando o resultado de suas pesquisas sobre a genealogia dos passageiros italianos chegados ao Brasil no vapor Montevideo em 18 de junho de 1896, entre eles sua bisavó Rosa Savoretti.

Esperamos receber notícias de nossos associados, a respeito de atividades genealógicas que estão desenvolvendo, bem como eventos e encontros de família de que estão participando. Que tal ajudar-nos a divulgar essas notícias, enviando-as para cbg.publicacoes@gmail.com



Notas de Falecimento

  • Paulo Roberto Martins de Oliveira - aos 75 anos, no dia 3 de maio, em Petrópolis-RJ, onde nasceu a 30.07.1942 e onde residia. Com formação técnica em Desenho Industrial, trabalhou por 27 anos como projetista da antiga Telecomunicações do Estado do Rio de Janeiro – TELERJ, em Petrópolis. Conheceu, em 1979, o fundador do CBG Carlos Rheingantz e, a partir daí, passou a auxiliá-lo nas pesquisas de famílias alemãs, traçando a genealogia das 456 famílias germânicas colonizadoras da cidade. Após a morte de Carlos, decidiu levar adiante o projeto do amigo, a quem sucedeu como Titular da Cadeira nº 10 no Instituto Histórico de Petrópolis. Associou-se ao CBG em 20.03.1993, passando a Adjunto em breve tempo. Autor do livro “Álbum de Memórias do Batalhão Dom Pedro II”, 2008.
  • Dario Cardoso Vale - faleceu prestes a completar 95 anos, no dia 18/10/2017 em Belo Horizonte-MG, onde residia. Nasceu em 21.11.1922, em Prados-MG. Era funcionário do Banco do Brasil e, segundo uma antiga colega de trabalho, “possuía um coração generoso e bem humorado e tinha a humildade dos sábios”. Por ocasião de sua morte, dele disseram os confrades Pedro Carrano, Brasília-DF: “Grande amigo e colaborador, autor da ‘Memória Histórica de Prados’. Ajudou-me bastante em minhas pesquisas históricas e genealógicas“; e Marcelo Bogaciovas, S.Paulo-SP : “Autor de um livro notável.”
  • Roberto de Siqueira Ferreira Leite – Carioca, nascido em 30.09.1945, Roberto era engenheiro eletrônico, já aposentado quando associou-se ao CBG em 2004. Atuou no setor das telecomunicações no Rio de Janeiro e no Piauí, onde foi Diretor e Presidente da empresa estadual Telepisa - Telecomunicações do Piauí S.A. Na área de fundos de pensão foi Diretor da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar - ABRAPP e, na Fundação SISTEL de Seguridade Social (fundo de previdência do antigo sistema Telebrás), foi Diretor Superintendente por 7 anos. Falecido em 27.04.2017, no Rio, deixou viúva e três filhos maiores.
  • Ari Mateus - Somente ao fim de maio foi o CBG informado do falecimento, aos 81 anos, deste nosso associado Correspondente, conveniado do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba-SP, ocorrido há quase 3 anos, no dia 05.11.2015 em Campinas-SP. Professor, historiador e escritor, nasceu em Sorocaba em 24.12.1933. Fez parte da diretoria do IHGGS, tendo realizado importantes levantamentos documentais sobre a história da cidade. Revisou o livro “História de Sorocaba”, de Aluísio de Almeida e foi um dos pesquisadores que divulgou a existência do testamento público de Santos Dumont, realizado em Sorocaba. Entre seus vários trabalhos como escritor, destaca-se a edição de dois volumes do livro "Sorocaba em tempos de desenvolvimento". Associou-se ao Colégio Brasileiro de Genealogia em 29.02.1996, por ocasião do convênio firmado entre o CBG e o IHGGS.

Notícias do CBG

  • Atendimento a pesquisadores – Além das tardes de 3ª-feira, de 14 às 17h, com o diretor Guilherme Serra, a partir do mês de junho o CBG ampliará seus dias de atendimento, acrescentando as manhãs de 6ª- feira, de 9 às 13h com a diretora Regina Cascão.
  • Novos associados – Com alegria, o CBG dá as boas vindas aos novos associados aprovados pela Diretoria para integrar o Quadro Associativo. São eles: os Colaboradores Augusto Pinto Villar, de João Pessoa – PB, Juliano Pereira de Souza, de Alpinópolis – MG, Luís Severiano Soares Rodrigues, do Rio de Janeiro – RJ; e o Correspondente Miguel Daddario, de North Smithfield, Rhode Island, EUA.
  • Biblioteca - Informamos aos novos associados - e recordamos aos antigos - que o Estatuto CBG traz em seu Art. 12 - item b a obrigação do associado em "doar à biblioteca um exemplar das publicações de sua autoria nas áreas de interesse do Colégio". Em razão do exíguo espaço para guarda, só temos como adicionar a nosso acervo obras eminentemente genealógicas ou que tenham, em seu conteúdo, pelo menos uma boa parte que trate de genealogia, nossa precípua razão de existência.
    Registramos nossos sinceros agradecimentos aos que enviaram volumes de sua autoria ou de outrem, para ampliar o acervo de nossa biblioteca. São os seguintes os livros registrados no período:
    • Doação do autor Frederico Grinberg Jr.
      – Grinbergs da Letônia: dispersão por Brasil, Suécia e Estados Unidos.
      O livro apresenta aspectos da vida da família na Letônia, e a emigração de diversos de seus membros, em especial, a de Frederico Grinberg, para o Rio de Janeiro, com passagem pelo interior de São Paulo.
      – Luciano Cardoso de Menezes Montenegro e Helena Carolina de Mattos: descendência, 1800 – 1900.
    • Ordem dos Santos Maurício e Lázaro em Portugal e Brasil - de Paulo Falcão Tavares, doação do autor.
      Com 600 biografias dentre as quais de brasileiros condecorados com a Ordem da Casa Real de Saboia, que remonta às Cruzadas.
    • Pioneiros Alemães de Nova Filadélfia - de Cleia Schiavo Weyrauch, doação da autora.
      Colônia agrícola fundada por Teófilo Ottoni no município que hoje leva seu nome.
    • Sementes de Cedro – Árabes na Província do Rio de Janeiro – de Cinara Jorge, doação da autora.
      As famílias Abi Ramia, Amin, Bichara, Chamon, Elias, Galli, Jahara, Jorge, Kalil, Lesses, Rachid, Rohana e Simão, radicadas em terras fluminenses, mais notadamente no entorno de Niterói.
    • Arquivo da Família Kellermann – doação da organizadora Elvira Horstmeyer.
      Estudo genealógico da família de Rudolph Kellermann, nascido em 1832 na Pomerânia, e domiciliado em Timbó, SC.
    • Bento da Costa Preto – Um Paulista das Minas Gerais – de Marta Amato, doação de Carlos Alberto Isoldi.
      Traz sua imensa descendência pelos casamentos com Leonor Rodrigues Cide, Ana Maria de Torres e Isabel Pedrosa de Brito.
    • Buarque: Uma Família Brasileira – ensaio histórico-genealógico – de Bartolomeu Buarque de Holanda, doação de Angela Duhá.
    • Gente do Taipu: Os Lins Cavalcanti de Albuquerque desde Remotos Ancestrais Medievais até José Lins do Rego – de Carlos Francisco Bandeira Lins, doação do autor.
    • Histórias de Famílias: Casamentos, Alianças e Fortunas - de. Marieta de Moraes Ferreira.
      Famílias de diferentes origens que se encontraram em Nova Friburgo, RJ, no início do século XX.
    • Família Gondim – e outras linhagens areenses – de Antonio Washington de Almeida Gondim, doação do autor.
      Descendentes do casal Santos da Costa Gondim e Maria Franca Torres, casados em 1846 na cidade de Areia, região serrana da Paraíba.
    • Povo de São Gonçalo, aspectos da genealogia campista – de Francisco de Vasconcellos, doação do autor.
      Famílias que se radicaram na antiga freguesia de São Gonçalo dos Campos Goitacazes, hoje distrito do município de Campos dos Goitacazes – RJ.
    • Edmundo do Rego Barros Filho – O poeta – edição revista e ampliada, de Adauto Ramos, doação do autor.
    • Aos filhos de Mina Nova – de Samuel Albuquerque, doação do autor.
      Ascendência de Apolinário Florentino de Albuquerque (1922-1961), o Apolinário da Mina Nova, proprietário rural no município de Iati, agreste pernambucano.
    • Os advogados da Comarca de Magé – de Antônio Seixas, doação do autor.
      Perfil e trajetória dos advogados militantes na Comarca de Magé-RJ, no período de 1860 a 1901.

Outras Notícias

A CASA DA MARQUESA DE SANTOS...

Localizada no Bairro Imperial de São Cristóvão, a Casa da Marquesa de Santos foi um presente dado pelo Imperador D. Pedro I para Domitila de Castro Canto e Melo, em 1827.

Com projeto arquitetônico assinado por Jean Pierre Pézerat, pinturas decorativas de Francisco Pedro do Amaral, aluno de Debret, e trabalhos em estuque dos irmãos Ferrez, escultores da missão artística francesa − a casa, tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional - IPHAN em 1938, é um dos exemplares mais representativos do estilo neoclássico no Estado do Rio de Janeiro.

As ambientações da Casa de Domitila revelam feminilidade e romantismo no belo trabalho em marchetaria dos pisos; nos corações esculpidos em portais e janelas; na Sala Flora, local de seu provável toucador, com o retrato da ninfa cercada por representações da flora brasileira e universal, mescladas a joias; na Sala Quatro Continentes com figuras femininas, possível referência à marquesa, vestidas de Europa, África, Ásia e América.

Em 1829, o romance de Dom Pedro I e a Marquesa de Santos chegou ao fim. O solar, então, é vendido. Ao longo do século XIX, passa por vários proprietários, entre eles o barão de Vila Nova do Minho - que o reforma e imprime na fachada a data de 1851, como marco da reinauguração - e o barão de Mauá, que lá reside entre 1869 e 1882, sendo responsável por novas adaptações, inclusive as sobreposições de pinturas na sala de música, no piso superior.

A Casa está sendo restaurada e em seu novo projeto museográfico contemplará o contexto histórico em que foi construída, a história de seus usos, dos seus moradores e, claro, a história da própria Marquesa, tornando-se um lugar de memória e contemplação. Da conceituação do uso público da Casa da Marquesa para o século XXI, surgiu a visão do projeto do Museu da Moda Brasileira, que será construído em terreno contíguo ao prédio, projeto este da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. Primeiro museu no país dedicado aos costumes e à moda, o Museu da Moda Brasileira reunirá acervos representativos do panorama da moda brasileira.

A Casa da Marquesa de Santos – Museu da Moda Brasileira é órgão da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, vinculado à Fundação Anita Mantuano de Artes do Rio de Janeiro - FUNARJ.

... E O CBG

Hoje o Diretor da Casa da Marquesa dos Santos – Museu da Moda Brasileira é o confrade Jorge Douglas Fasolato. Por ocasião da 16ª Semana Nacional de Museus (14 a 20 de maio), deu-se no dia 15 de maio a inauguração de um dos projetos de sua administração: a série “Conversas no Museu”, voltada para a divulgação e o debate de temas relacionados à história, gestão e preservação do museu.

O tema desse evento foi “Arquitetura e Arte”, sendo apresentados estudos sobre a arquitetura e a decoração da Casa da Marquesa dos Santos, desenvolvidos por pesquisadores do projeto “A Casa Senhorial em Lisboa e no Rio de Janeiro: Anatomia dos Interiores”. Foram palestrantes: Ana Lúcia Vieira dos Santos, da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense - EAU/UFF e Ana de Paula Torem, bolsista da Fundação Casa de Rui Barbosa – FCRB, com mediação de Ana Pessoa, do Serviço de Pesquisa em História da mesma FCRB, e associada do Colégio.

Na imagem a seguir, feita na ocasião, temos o os confrades Douglas Fasolato e Ana Pessoa, e na extrema direita o escritor, pesquisador e amigo do CBG, Paulo Rezzutti, presente no evento, que gentilmente cedeu-nos a foto.

A seguir, a 2ª e última parte do artigo de Rui Vieira da Cunha, publicado na página 4 do Jornal do Commercio do domingo 19 de fevereiro de 1956. A 1ª parte foi publicada na Carta Mensal nº 140, anterior, onde constaram as seções I – II e III do artigo.

A Fortuna do Barão de Albuquerque – 2ª Parte

Colaboração/transcrição de Pedro Auler.

Recorde-se que o Barão de Albuquerque era Manuel Artur de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque nascido em 10 de agosto de 1840, em Niterói, então Província do Rio de Janeiro, filho de Antonio Francisco de Paula e Hollanda Cavalcanti de Albuquerque (1797-1863), mais tarde Visconde de Albuquerque.

2ª Parte

IV

Para sempre permanecer, a seu gosto, na Europa, houve o Barão de Albuquerque de bem gerir seu patrimônio, empregando-o com cautela, não se deixando fascinar, como tantos de sua geração, pelas ilusões aventurosas do encilhamento. Sem possuir uma fortuna excepcional, usufruía rendas que lhe asseguravam uma cômoda e independente situação financeira.

Carecendo de herdeiros necessários, o Barão, em verba testamentária, estabelecera: 'Instituo minhas herdeiras universais as minhas quatro sobrinhas – Dona Emília de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, filha única de meu irmão o Desembargador Luiz de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, falecido e minhas três outras sobrinhas – Dona Maria Emília de Sá Cavalcanti de Albuquerque (viúva do Dr. João de Sá Cavalcanti de Albuquerque), Dona Emília Cavalcanti de Albuquerque e Dona Amélia Cavalcanti de Albuquerque, filhas todas três de minha finada irmã Dona Emilia Amélia Cavalcanti de Albuquerque, casada que foi com o Doutor Estevão Cavalcanti de Albuquerque, quero que estas minhas quatro sobrinhas repartam em partes iguais os meus bens'(1).

Processou-se o inventário do Barão no 1º Ofício do Juízo da Provedoria e Resíduos do Rio de Janeiro, então ocupado pelo Juiz de Direito Dr. Eliezer Gerson Tavares(2). A 9 de março de 1914 era deferido o compromisso legal de bem servir a função de inventariante ao Dr. Luiz Felipe de Souza Leão, que, na mesma data, prestou suas primeiras declarações, sendo as finais a 2 de outubro daquele ano.

O espólio compreendia imóveis situados no Recife, onde foram avaliados mediante carta precatória expedida pelo competente Juízo, os quais assim aparecem descritos e valorados:

1, 2 e 3) três casas térreas iguais, na Travessa dos Guararapes, ns. 1, 3 e 5, cada uma com duas janelas e uma porta de frente, em sótão, medindo 7,25m de frente por 15,60m de fundo, valendo cada unidade 3:000$000 (três contos de réis);

4) uma casa térrea, na Travessa de Tiradentes (antiga Pedro Primeiro), n. 7, com três portas de frente, duas salas, três quartos cozinha e aparelho, sótão com duas salas, três quartos, uma sala da escada e quintal murado, de 8,70m de frente por 15m de fundo, estimada em 4:000$000 (quatro contos de réis);

5) uma casa térrea, na Travessa de Tiradentes, n. 9 com três portas de frente, duas salas, quatro quartos, cozinha externa e quintal murado, de 8,90m de frente por 15m de fundo, no valor de 4:000$000 (quatro contos de réis);

6) um sobrado de um andar, na Travessa de Tiradentes, n. 11, tendo no pavimento térreo três portas de frente, inclusive a da escada em sótão, no pavimento superior três portas de frente, duas salas, quatro quartos, cozinha aparelho e quintal murado; de 9,20m de frente por 15,50m de fundo, valor de 7:000$000 (sete contos de réis);

7) uma casa térrea, na Travessa de Tiradentes, n. 13, com três portas de frente, duas salas, quarto quartos, aparelho, cozinha e quintal murado, de 8,90m de frente por 15m de fundo, avaliada em 3:600$000 (três contos e seiscentos mil réis);

8) uma casa térrea na Travessa de Tiradentes, n. 15, com três portas de frente, duas salas, quatro quartos, cozinha e aparelho; sótão interno com duas salas, três quartos e cozinha; de 8,90m de frente por 15m de fundo, estimada em 4:000$000 (quatro contos de réis);

9, 10 e 11) três armazéns, na Rua Barão de Triunfo (antiga do Brum), ns. 65, 67 e 69, cada um com três portas de frente, em sótão, medindo, respectivamente, 7m de frente por 21,50m de fundo, 7m por 21m e 7,70m por 21,50m; inscrito cada prédio por 10:000$000 (dez contos de réis); e

12) uma propriedade, a Ilha Ana Bezerra, na freguesia de São José, tendo parte alagada, com cajueiros e outras árvores frutíferas, havendo uma casa de pedra e cal em ruínas, com duas janelas e uma porta de frente, além de uma dependência com uma porta e uma janela de frente, duas salas, cinco quartos, cozinha e duas saletas, de 14m de frente por 16m de fundo, valendo 7:000$000 (sete contos de réis). O inventariado possuía, entretanto, tão só 5/8 [no texto publicado: 5/2] (cinco oitavas) partes deste bem, representando 4:375$000 (quatro contos, trezentos e setenta e cinco mil réis)(3).

Integravam, também, a massa os seguintes títulos de crédito:

1) cem apólices da dívida pública, gerais, uniformizadas, juros de 5% (cinco por cento), cada uma no valor nominal de 1:000$000 (um conto de réis) e cotada a 865$000 (oitocentos e sessenta e cinco mil réis), perfazendo 86:500$000 (oitenta e seis contos e quinhentos mil réis);

2) vinte ações da Sociedade em comandita Rodrigues & Companhia (Jornal do Commercio), cada uma no valor nominal de 5:000$000 (cinco contos de réis), com 40% (quarenta por cento) realizadas, avaliadas a 2:000$000 (dois contos de réis) por unidade, totalizando 40:000$000 (quarenta contos de réis);

3) trinta e sete ações da Companhia Docas de Santos, cujo valor nominal era de 200$000 (duzentos mil réis) cada, elevando-o a cotação a 491$000 (quatrocentos e noventa e um mil réis), somando 18:167$000 (dezoito contos, cento e sessenta e sete mil réis);

4) quinze ações da Companhia Phenix Pernambucana de Seguros Marítimos e Terrestres, com o valor unitário oficial de 435$000 (quatrocentos e trinta e cinco mil réis), dando 6:525$000 (seis contos, quinhentos e vinte e cinco mil réis); e

5) cinquenta e quatro ações do Banco do Brasil, vendidas por ordem do Juízo, produzindo o líquido de 11:850$300 (onze contos, oitocentos e cinquenta mil e trezentos réis).

Agregavam-se os rendimentos que se distribuíam em três parcelas:

1) aluguéis dos prédios situados no Recife – 5:070$960 (cinco contos, setenta mil, novecentos e sessenta réis);

2) juros das cem apólices, relativos ao primeiro semestre de 1914 – 2:500$000 (dois centos e quinhentos mil réis); e

3) dividendos das trinta e sete ações da Companhia Docas de Santos, referentes ao primeiro semestre de 1914 – 666$000 (seiscentos e sessenta e seis mil réis).

O total bruto, consequentemente, subia a 237:254$260 (duzentos e trinta e sete contos, duzentos e cinquenta e quatro mil, duzentos e sessenta réis). Havia, porém, redução a fazer, inclusive a venda de quinze ações da Companhia Phenix Pernambucana de Seguros Marítimos e Terrestres, para atender a encargos do monte, partilhando-se o saldo em dinheiro entre as herdeiras. Atingiam a 29:193$056 (vinte e nove contos, cento e noventa e três mil, cinquenta e seis réis)(4), pelo que o líquido a partilhar importava em 208:061$204 (duzentos e oito contos, sessenta e um mil, duzentos e quatro réis).

Efetuou-se a partilha amigável a 26 de outubro de 1914 [no texto publicado: 1913]. Assinou-se o termo de ratificação a 27, sendo o inventariante Dr. Luiz Felipe de Souza Leão, também procurador de D. Emília Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, ao passo que o Dr. Antônio Cavalcanti de Albuquerque representou as três outras herdeiras, suas irmãs. E no dia imediato foi proferida a sentença homologatória pelo juiz Dr. Eliezer Gerson Tavares.

Temos, dessarte, elucidado o montante e o destino da fortuna do Barão de Albuquerque.

Rui Vieira da Cunha
“Jornal do Commercio”, Rio de Janeiro, 19/02/1956
http://memoria.bn.br/DocReader/364568_14/35925

____________________________________

(1) Os dados que utilizamos nesta parte foram colhidos na Sentença cível de formal de partilha extraída dos autos de inventário dos bens deixados pelo finado Barão de Albuquerque, de quem é inventariante o Dr. Luiz Felipe de Souza Leão, passada a favor das herdeiras, para título e conservação de seus direitos, a 6 de novembro de 1914. Pudemos consultar o documento graças à amizade e gentileza do Dr. Antônio Vaz de Carvalho Cavalcanti de Albuquerque, sobrinho-neto do titular, como evidencia o seguinte estema:
I – O Visconde de Albuquerque e sua esposa geraram:
II – D. Emília Amália de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, casada com o Dr. Estêvão Cavalcanti de Albuquerque, médico, filho do Barão de Merepi. Pais de:
III – Dr. Antônio Francisco de Paula e Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, advogado, matrimoniado com D. Laura Vaz de Carvalho, havendo:
IV – Dr. Antônio Vaz de Carvalho Cavalcanti de Albuquerque, engenheiro-civil.

(2) O titular do mencionado Cartório do 1º Ofício era o Escrivão José Senra de Oliveira, Junior, funcionando no inventário o Escrevente juramentado Alfredo José Pinto.

(3) Comunicou-nos o Dr. Antônio Vaz de Carvalho Cavalcanti de Albuquerque (citado na nota 26) que a Ilha Ana Bezerra era condomínio do Barão de Albuquerque e de Corrêa de Araújo, sobrinho da Viscondessa de Camaragibe. A propriedade, ademais, lhes fora deixada pelos tios e padrinhos, Viscondes de Camaragibe.

(4) Só de imposto do selo da herança foi paga, na Recebedoria do Estado de Pernambuco, a quantia de 11:911$270 (onze contos, novecentos e onze mil, duzentos e setenta réis), a 24 de agosto de 1914.

Genealogia do Amazonas

ANTIGAS FAMÍLIAS MANAUARAS*

* de Manaus, capital do Amazonas.

Fábio Augusto de Carvalho Pedrosa
Publicação autorizada pelo autor

Família, o mais popular grupo humano, formado por membros que compartilham entre si relações ancestrais e afetivas, estruturada de diferentes formas, que vão desde a nuclear à monoparental. Nesse texto, um esboço desprendido de qualquer tentativa de delimitar o início e o fim de algo, busco, de forma simples, abordar as origens de algumas das famílias mais antigas de Manaus, famílias essas que, ao longo dos séculos, contribuíram de alguma forma para o desenvolvimento da cidade, estando presentes em diferentes períodos de sua evolução histórica e social.

Nos primeiros anos do que viria a ser Manaus, a Fortaleza de São José da Barra, núcleo que nada aparentava de urbano, é difícil de imaginar quais foram as primeiras famílias a se formar. Mas, levando em conta a inexistência de mulheres portuguesas nas primeiras expedições, supõe-se uniões entre soldados portugueses com filhas de chefes indígenas. Esse processo de formação de famílias mestiças se intensificaria em 1755, quando foi instituído o Alvará de 04 de abril, que autorizava o casamento entre brancos e indígenas, de forma a suprir a carência demográfica da Capitania de São José do Rio Negro. Essa política de união entre brancos e indígenas começou a surtir efeito cedo, como fica claro em uma carta de Mendonça Furtado para o rei, onde ele transmite que conseguiu que [...] “naquele pouco espaço se contrahissem não menos de 78 matrimonios no Ryo Negro” (MONTEIRO, 1995, p. 47).

Em fins do século XVIII, as famílias formadas por portugueses já eram uma realidade. Talvez já o fossem antes, mas temos um indício no diário de viagens de Alexandre Rodrigues Ferreira, no qual são citados os nomes de alguns moradores brancos, homens e mulheres: Manoel Tomé Gomes, Manoel Pinto Catalão, Inácia Lindoza e Madalena de Vasconcelos (FERREIRA, 2005, p. 355). Inácia Taveira de Meneses Lindoza era neta de Raimunda Taveira de Menezes Lindosa. Raimunda, no romance O Espião do Rei (1950), do folclorista e historiador Mário Ypiranga Monteiro, é a esposa de “Ferrabraz” Lindosa, soldado português de antigas Tropas de Resgate, assassino de indígenas em inúmeras povoações do Amazonas.

Tem origem no século XVIII a família Tenreiro Aranha, oriunda de Portugal e com laços em Barcelos e Belém, esta última por um de seus membros ser descendente dos povoadores dessa cidade ainda no século XVII. Os membros mais conhecidos são Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, poeta de Arcádia, seu filho João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, primeiro presidente da Província do Amazonas, e o filho deste último, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, jornalista autor de Um olhar pelo passado (1897), falecido aos 79 anos em 1919.

Penso que boa parte dessas famílias dos primeiros tempos, dos séculos XVII e XVIII, desapareceu ou foi absorvida por grupos maiores, perdendo suas identidades, talvez por mudanças nos cenários político e econômico, pela não continuidade de seus descendentes ou pela arma mais eficaz para fazer algo desaparecer: o esquecimento.

Muitas das famílias que fizeram história em Manaus vieram de outros estados e até de outros países. No século XIX, transformações políticas como a vinda da Família Real, os Tratados de Amizade e Comércio, e depois a Independência do Brasil do Reino de Portugal, estimularam a vinda de estrangeiros para o país, muitos deles visando estabelecer-se no Amazonas.

A família Antony é talvez um dos exemplos mais clássicos que podem ser destacados. Em Manaus, essa família tem origem no toscano Henrique Antony, que chegou no Lugar da Barra por volta de 1823, fugindo dos efeitos da dominação napoleônica na Europa. Em 1839 casou-se com Leocádia Maria Brandão, filha de Antônio José Brandão, fazendeiro português dono de engenho, estabelecido na região que hoje corresponde ao Manaquiri, e de uma mestiça filha de um chefe manau. Da união entre Leocádia e Henrique nasceram João Carlos, Américo, Dinary, Guilherme, Luiz Carlos, Lina, Paulina, Maria e Luiz.

Em 1853, já como grande comerciante da Província do Amazonas, o Império autorizou a concessão de sua carta de naturalização, sendo Antony o primeiro estrangeiro a naturalizar-se no Amazonas (COLLECÇÃO DAS LEIS E DECISÕES DO IMPÉRIO DO BRASIL, 1853, p. 5). A família, atualmente, encontra-se na sexta geração, com mais de 200 membros só em Manaus (FERREIRA, 2009).

Outro italiano, mais antigo nessas terras, foi o corso Francisco Ricardo Zany, que aqui chegou entre 1817 e 1821.

Vindos de mais longe, da Grécia, os Tadros, cristãos de origem copta, estabeleceram-se em Manaus por volta de 1870, consolidando-se como comerciantes. David Tadros, o pioneiro dessa família na região, fundou em 1874 a Tadros & Cia, casa de aviamento, de navegação, de importação e exportação, atualmente a mais antiga empresa em funcionamento no Amazonas (de ramos diversos, com foco em propriedades imobiliárias), com incríveis 143 anos. José Roberto Tadros, bisneto de David, comanda a empresa nos dias de hoje.

A família Moreira, de origem portuguesa e estabelecida na Bahia, também se fez presente em Manaus. Os membros mais notáveis foram três irmãos: Guilherme José Moreira, primeiro e único Barão do Juruá, comerciante e político; Antônio José Moreira, o Dr. Moreira, médico do Corpo de Saúde e Deputado pela Província; e Emílio José Moreira, Coronel, político e comerciante. Seus pais, Sebastião José Moreira e Maria José Moreira, permaneceram em Salvador.

Uma das famílias mais antigas de que se tem notícia, existente até os dias de hoje, é a Miranda Leão. A origem desta é interessante. Seu mais antigo membro conhecido, José Coelho de Miranda Leão, foi oficial de alta patente da esquadra portuguesa que fugira de Portugal durante a invasão de Napoleão Bonaparte, acompanhando Dom João VI ao Brasil, entre 1807-8. Seu nome era apenas José Coelho, sendo Miranda um acréscimo em homenagem à sua cidade natal, Miranda do Douro, no Distrito de Bragança. Já no Brasil, a serviço de Dom João, travou combate com um navio da esquadra francesa, derrotando-o com grande maestria. O monarca português o agraciou com o título de Leão do Mar, título esse acrescentado a seu nome, que passara a ser José Coelho de Miranda Leão.

Em Marzagão, na Província do Pará, casou-se com a filha de um fidalgo português. Dessa união nasceu José Coelho de Miranda Leão, falecido em 1894. Este casou-se com Martiniana Ferreira dos Anjos, descendente, em linha direta, da tribo dos manaus (BITTENCOURT, 1969, p. 109), sendo pais de Manoel de Miranda Leão, professor, jornalista e político (1851-1927). O descendente mais conhecido atualmente é Homero de Miranda Leão Neto.

A família Malcher, poderoso clã político e militar em Belém do Pará e arredores, tem origens que remontam ao século XVIII, de grandes proprietários de terra portugueses, fazendo união com a influente família Gama Lobo, originada de colônias na África e na América, cujo membro mais famoso é Manuel da Gama Lobo D' Almada, Brigadeiro e engenheiro militar português que administrou a Capitania de São José do Rio Negro entre 1788 e 1799. Em Manaus, o membro mais importante dessa família foi Leonardo Antônio Malcher (1829-1913), Major da Guarda Nacional, abolicionista e pioneiro na divulgação da doutrina espírita no Amazonas. Casou-se com Maria Raymundo Nonato, tendo dois filhos, Escolástico Clemente Malcher e Leonarda Antônio Malcher, que casou com José Cardoso Ramalho Júnior, governador do Estado do Amazonas entre 1898 e 1900. /p>

Dada nossa posição geográfica e laços culturais, já é perceptível que boa parte das antigas famílias amazonenses tem alguma ligação ou origem em Belém, no Pará, e outras cidades desse estado. A família Miranda Corrêa é originária da região do Lago Grande, nos arredores de Santarém, descendente de um ramo português miscigenado com índios da região. Jucundina de Miranda Corrêa, originária do Baixo Amazonas, e Inocêncio de Miranda Corrêa, juiz, são o casal de que se tem notícia, e aquele que deu origem à maioria dos membros dessa família. Dessa união nasceram: Luiz Maximino e Antonino Carlos, o médico Deoclécio, os bacharéis Carolino e Adelino, o almirante Altino, o comandante Acrisio Fulvio e duas irmãs: Joana e Sinhá Sussuarana (JORNAL A NOTÍCIA, 1970). Luiz Maximino e Antonino tornaram-se famosos pela construção da Fábrica de Gelo Cristal e da Casa de Chopps, em 1903; da 'Cervejaria Amazonense' em 1905; e do moderníssimo Castelo da Cervejaria Miranda Corrêa, entre 1910 e 1912, onde foi instalado o primeiro elevador da cidade, existente até os dias de hoje no bairro da Aparecida. Os Miranda Corrêa adquiriram de um rico comerciante português o prédio que mais tarde ficaria conhecido como Palacete Miranda Corrêa. Atualmente, existem descendentes dos Miranda Corrêa no Pará, no Amazonas, no Maranhão e no Rio de Janeiro.

Existem, é claro, mais famílias cujas origens estão localizadas em longínquos 100, 150, 200 anos. Buscou-se, aqui, apresentar um panorama das origens de algumas das principais famílias de Manaus, assim entendidas por suas influências no cenário político e econômico. Dar conta de abordar todas em um texto seria uma tarefa laboriosa, dada a complexidade dos estudos na área de genealogia e a quantidade de informações. As fontes aqui utilizadas nos dão apenas algumas ideias, devendo ser descobertas novas, trabalhadas as antigas, aplicadas em estudos de trajetórias, de biografias e de redes de poder.

____________________________________

Referências bibliográficas:
BITTENCOURT, Agnello. Dicionário amazonense de biografias. Manaus, Editora Artenova, 1969.
FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem filosófica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá (1783-1793). Disponível em CiFEFil, Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos.
FERREIRA, Evaldo. Rua Henrique Antony. Jornal Em Tempo, 2009.
MONTEIRO, Mário Ypiranga. Fundação de Manaus. 4° ed, São Paulo, Metro Cúbico, 1995.
____________________O Espião do Rei. 2° ed, Manaus, Editora Valer, 2002.
Collecção das Leis e Decisões do Império do Brasil. Rio de Janeiro, Typographia Nacional, 1853. Jornal A Notícia, 17/09/1970

____________________________________

Fábio Augusto de Carvalho Pedrosa, 21, é graduando em História na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), pesquisador e escritor, com artigos publicados em jornais, livros e revistas. Em 2013 criou o blog História Inteligente (www.historiainte.blogspot.com), no qual vem publicando artigos de História Geral, História do Brasil e História da Amazônia.

Curiosidade

Colaboração de Leandro Carmona

Agildo e sua família Barata Ribeiro

Carlos Eduardo Barata e Regina Cascão

Recentemente, no dia 28 de abril p.p., foi noticiada a morte do ator e comediante Agildo Ribeiro, aos 86 anos, na cidade do Rio de Janeiro-RJ, onde havia nascido a 26 de abril de 1932.

Agildo da Gama Barata Ribeiro Filho era seu nome completo e assim é apresentado na Wikipédia:

“Seu pai, o oficial do Exército Agildo Barata Ribeiro, participou do movimento tenentista e da Revolução de 1930. Seu tio-avô, Cândido Barata Ribeiro, foi o primeiro prefeito do Distrito Federal – na época, a cidade do Rio de Janeiro. Após a Revolução Constitucionalista de 1932, sua família exilou-se em Portugal, onde Agildo Ribeiro viveu seus primeiros anos. Lá, ele conta que aprendeu a falar com uma babá portuguesa, por isso, tinha sotaque lusitano. Quando retornou ao Rio de Janeiro, a família achava graça. 'Todo mundo morria de rir quando eu abria a boca. E eu pensava: vou ganhar dinheiro com isso quando eu crescer.'

Agildo foi casado cinco vezes. Suas esposas foram mulheres famosas, como Consuelo Leandro e Marília Pêra, mas passou 35 anos casado com a bailarina e também atriz Nídia (Didi) Barata Ribeiro, falecida em 2009. Não houve filhos nesses relacionamentos, mas em 2013, aos 81 anos, descobriu que era pai de um homem de 47 anos.

Agildo foi o primeiro ator que interpretou João Grilo, o personagem central da peça de Ariano Suassuna “Auto da Compadecida”. Humorista de enorme sucesso na década de 1970 tanto no Brasil como em Portugal, co-estrelou diversos programas de humor da Rede Globo ao lado de Jô Soares, Paulo Silvino e Chacrinha. Naquela fase, o seu programa mais famoso foi Planeta dos Homens.” (https://pt.wikipedia.org/)

No cinema, participou de 34 filmes brasileiros de 1955 a 2008, quando trabalhou em “A Casa da Mãe Joana”, de Hugo Carvana. Faleceu em casa, de problemas cardíacos.

A FAMÍLIA BARATA RIBEIRO
um resumo do verbete no Dicionário das Famílias Brasileiras*, com autorização dos autores.

Importante família originária da Bahia, com ramificações no Rio de Janeiro. A união dos dois sobrenomes teve princípio no pintor José Maria Cândido Ribeiro, que deixou numerosa descendência de seu casamento, c.1845, com Veridiana Rosa Barata de Almeida [n. Bahia], neta de Raimundo Nunes Barata, patriarca desta família Barata de Almeida, da Bahia.

Entre os descendentes do casal, registram-se:

I - o filho, Dr. Cândido Barata Ribeiro, n. Salvador, BA, a 11.03.1843 e fal. Rio de Janeiro, RJ, a 10.02.1910. Doutor em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1867. Professor catedrático de Clínica Médica e Cirurgia de Crianças na Faculdade de Medicina [1882]. Diretor do Hospital de Caridade de Campinas, São Paulo. Catedrático, por concurso, em 1883, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Abolicionista e Republicano. Presidente da Intendência do Conselho Municipal do Distrito Federal (RJ). Presidente do Conselho Municipal do Distrito Federal (RJ) [1891]. Prefeito do Distrito Federal (Rio de Janeiro) [17.12.1892 a 26.05.1893]. Ministro do Supremo Tribunal Federal, sem nunca ter recebido vencimentos, e autor de notáveis acórdãos. Senador da República pela então Capital Federal (Rio de Janeiro) [25.05.1900 a 31.01.1909]. Membro da Academia Nacional de Medicina. Dramaturgo, cientista e autor de diversos livros sobre medicina muito apreciados. Teve seu nome homenageado em uma das principais ruas do bairro de Copacabana. Com geração do seu cas., em 07.1866, em Piracicaba, SP, com Ana Cornélia Borges [16.09.1848, Lages, SC - 15.11.1933, Rio, RJ], filha de João Borges e de Maria Feliciana de Andrade;

II - o filho, Atanagildo Barata Ribeiro [01.1848, BA - 19.03.1906, São Paulo, SP], n. Bahia, porém batizado no Rio de Janeiro. Oficial do Corpo da Marinha. Engenheiro Naval. Reformado como 1.º Tenente do Corpo da Armada [28.02.1880]. Capitão Tenente Honorário. Medalha da Campanha do Paraguai. Medalha de Prata conferida pela República da Argentina pela sua participação na Guerra do Paraguai. Foi casado três vezes: a primeira, a 26.02.1876, no Rio, RJ, com Clarinda Clara dos Santos [1848, São José do Rio Preto, MG - 01.10.1889, Rio, RJ], filha do visconde de Ibituruna, João Batista dos Santos, membro da família Ibituruna de Minas Gerais, anteriormente família Santos. Com geração. A segunda, entre 1889 e 1902, com Elizabeth Lys. A terceira, a 17.09.1902, no Rio, RJ, com Maria Gabriela de Barros Dantas da Gama, n. 10.07.1878, Pindamonhangaba, SP, filha de Henrique Antônio Dantas da Gama e de Gabriela de Barros;

III - o filho, Cremildo Barata Ribeiro [1849, BA - 07.05.1892, Rio, RJ], diplomata. Corretor de seguros. Com geração do seu cas. com Elizabeth Hughes, de origem inglesa, filha de John Hughes e de Juliana Hughes;

IV - o neto, Dr. Bento Barata Ribeiro [29.09.1868, Sorocaba, SP - 21.02.1909, São Paulo, SP], filho do item I. Advogado. Com geração do seu cas., a 25.04.1899, São Paulo, SP, com Jécia de Almeida [15.02.1869, São Paulo, SP - 11.12.1947, idem], filha de Antônio Pinto de Almeida e de Gertrudes de Almeida;

V - o neto, Felizardo Barata Ribeiro [01.06.1874, São Paulo, SP - 17.02.1935, Rio, RJ], filho do item I. Com geração do seu cas., a 17.02.1900, no Rio, RJ, com Helena Courrèges, n. 11.04.1882, Rio, RJ, filha de João Courrèges e de Amalia Roemer;

VI - o neto, José dos Santos Barata Ribeiro, n. c.1880, filho do primeiro casamento do item II. Engenheiro. Foi testemunha no terceiro casamento de seu pai. Deixou geração dos seus dois casamentos;

VII - o neto, o tenente Agildo da Gama Barata Ribeiro [03.08.1905, Rio, RJ - 1968, idem], filho do segundo casamento do item II. Militar e político. Formou-se na Escola de Realengo [1928]. Participou na organização da Revolução de 1930. Comandante das colunas rebeldes no NE. Secretário de Juarez Távora. Participou ativamente da Revolução de 1932 em São Paulo. Preso, conseguiu exilar-se em Portugal. Retornou, com a anistia, ao Exército [1934]. Filiado ao PCB. Um dos comandantes do levante comunista no quartel do 3.º Regimento de Infantaria, na praia Vermelha, Rio, RJ [1935], insurreição coordenada pela ANL – Aliança Nacional Libertadora. Ficou preso por 10 anos. Anistiado em 1945. Vereador à Câmara Municipal do Rio de Janeiro, pelo PCB [1947]. Teve seu mandato cassado em 1948, vivendo na clandestinidade até 1957. Com geração do seu cas., em 1931, no Rio, RJ, com Maria Cassápis, fal. 12.10.1979, Rio, RJ;

VIII - o bisneto, Dr. Lair Paulo Barata Fortes [26.02.1900, Rio, RJ - 16.07.1973, Rio, RJ], neto do item I. Médico. Depois de formado passou a assinar Barata Ribeiro. Secretário de Saúde. Casado, primeiro, a 26.12.1924, com Ema Brandão, n. 26.12.1901, São Nicolau dos Arroios, patriarcado de Lisboa; filha de Ricardo Pereira Lopes Brandão e de Maria Adelaide Vilanova. Casado, segundo, com Elsa Gomes Pimentel, filha de Josué Antônio Gomes Pimentel e de Maria Ferreira Viana;

IX - o bisneto, Luiz Felipe Barata Ribeiro [27.12.1902, São Paulo, SP - 07.09.1956], filho do item III. Casado, a 14.08.1940, em São Paulo, SP, com Nair de Figueiredo Poiares, n. em Caçapava Paulista, SP, filha de José Gomes Poiares e de Aurora de Figueiredo;

X - o bisneto, Fernando Barata Ribeiro [04.10.1908, Rio, RJ -], filho do item V. Arquiteto. Com geração do seu cas., a 09.11.1932. Rio, RJ, com Isaura Falcão, n. 04.10.1908, Rio, RJ, filha de Alfredo Bandeira Falcão e de Aida Costa;

XI - o bisneto, Bento Barata Ribeiro [14.02.1912, Rio, RJ -], filho do item V. Engenheiro Civil. Com geração dos seus dois casamentos: o primeiro, a 13.04.1934, no Rio, RJ, com Telma Rosemary Menger , n. 04.07.1915, Rio, RJ, filha de Herbert Edmund Menger e de Mary Menger, e, o segundo, a 18.02.1954, no México, com Maria Altair Faro, n. 11.07.1932, São Paulo, SP, filha de Paulo Faro e de Mena Montemór;

XII – O BISNETO, O ATOR E COMEDIANTE AGILDO RIBEIRO, filho do item VII;

XIII - o terceiro neto, o cantor de ópera Paulo de Paiva Fortes [07.02.1923, Rio, RJ - 01.1997, RJ], bisneto do item I. Conhecido barítono, artista de renome. Com geração do seu cas., a 10.01.1948, com Nilza Xavier , n. 31.10.1924, filha de Rafael Xavier e de Noemia Ferreira;

XIV - o terceiro neto, Cláudio Barata Ribeiro, n. 24.12.1933, Rio, RJ, filho do item X. Com geração do seu cas. a 10.05.1958, no Rio, com Neide Guimarães Rodrigues, n.10.03.1936, Rio, RJ, filha de Ari Emilio Rodrigues e de Maria da Gloria Bettamio Guimarães - pais de Claudio, Renato e Helena Barata Ribeiro;

XV - o terceiro neto, Fernando Paulo Barata Ribeiro, n. 15.08.1935, Rio, RJ, filho do item X. Com geração do seu cas., a 10.01.1964, com Vera Maria Castiglione - pais de Fernanda e Carla Barata Ribeiro.

________________________________

* BARATA, Carlos Eduardo & CUNHA BUENO, A. Henrique. Dicionário das Famílias Brasileiras, vol. I. São Paulo: Árvore da Terra, 1999.



Genealogista Pioneira em Goiás

Bento Fleury*
Trecho do artigo “As raízes e os ramos eternais na história dos estudos genealógicos em Goiás”
https://www.dm.com.br/opiniao/dez2017

(...)

Um dos mais antigos documentos sobre as famílias goianas foi feito por uma mulher, Ana das Dores Fleury Curado, que nasceu em 1813, em Meia Ponte, hoje Pirenópolis, filha de João Fleury Coelho e Rosa Maria de Lima Camargo. Ela se casou aos 16 anos, em 31 de maio de 1829, com João José de Campos Curado, seu parente, e passou a residir em Corumbá de Goiás.

Nessa cidade, esta nobre dama fez um diário minucioso, com datas e acontecimentos familiares e da localidade, como rico manancial da vivência corumbaense dos anos que ali viveu. Relatou festas, nascimentos, casamentos, óbitos, dados familiares no entrelaçamento de gerações. Escreveu até 13 de março de 1877, quando faleceu. Precioso documento, traz informações sobre a genealogia familiar e da comunidade corumbaense da segunda metade do século XIX, naqueles confins de mundo.

Também, seu filho, Francisco Herculano Fleury Curado, que nasceu em 11 de agosto de 1847 em Corumbá de Goiás e ali faleceu em 20 de agosto de 1931, fez outro diário intitulado “Datas principais”, em que, por mais de setenta anos, registrou toda a vida da cidade de Corumbá, a genealogia local, familiar e os apontamentos importantes que, hoje, são valiosos subsídios para historiadores e estudiosos da alma goiana. (...)

* Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado, graduado em Letras e Linguística pela UFG, especialista em Literatura pela UFG. Mestre em Literatura pela UFG, mestre em Geografia pela UFG. Doutor em Geografia pela UFG, pós-doutorando em Geografia pela USP, professor, poeta.