Associados são Notícia

  • Leila Ossola, a 21 de julho, representou o CBG em uma das atividades culturais regularmente promovidas pela Casa dos Açores do Rio de Janeiro, a Tertúlia Açoriana. Desta feita, da programação constava da palestra “O Divino Espírito Santo na Ilha Terceira: uma questão de cidadania e fé”, apresentada pela Profª. Drª.Josélia Mafalda Ribeiro Fonseca, do Departamento de Educação da Universidade dos Açores - UAc, Portugal. Na oportunidade, o CBG deu o primeiro passo para a parceria cultural com aquela Casa e também com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, co-partícipe do evento.
    Na primeira foto, a palestrante, o Prof. Dr.Daniel do Evangelho Gonçalves, Diretor Cultural da Casa dos Açores-RJ e a diretora Leila, que na segunda foto pode ser vista com o Prof.Dr.Márcio.Berbat da UNIRIO.

  • Na foto acima, E>D:
    o palestrante, Carlos Isoldi e Stanley.

    Mais um “evento genealógico” aconteceu no sábado dia 18 de agosto, nas dependências do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais - IHGMG, na capital Belo Horizonte: a palestra “Genealogia Genética”, proferida pelo genealogista Ricardo Augusto Spinardi Bueno, graduado em administração de empresas e engenharia biotecnológica, e membro da International Society of Genetic Genealogy. Nessa atividade do IHGMG claramente se reconhece a dinâmica atuação de três confrades do CBG, também membros daquela Casa: Carlos Alberto Isoldi Filho, Marcos Paulo de Souza Miranda e Stanley Savoretti de Souza.
  • Cinara Jorge teve publicado artigo de sua autoria no periódico Tribuna de Petrópolis, edição de 12.09. Intitulado A Veneranda Senhora, constou da seção “IHP em Cena”, reservada ao Instituto Histórico de Petrópolis, de onde a confreira é também associada.

Esperamos receber notícias de nossos associados, a respeito de atividades genealógicas que estão desenvolvendo, bem como eventos e encontros de família de que estão participando. Que tal ajudar-nos a divulgar essas notícias? Material deve ser enviado para o endereço cbg.publicacoes@gmail.com.

Notas do CBG

  • Novos associados – Com alegria, o CBG dá as boas vindas aos novos associados aprovados pela Diretoria para integrar o Quadro Associativo. São eles: Colaboradores - Adriana Bassini Cameron, Francisco Murilo Leite Lira e Julio Cesar Sales Moreira do Rio de Janeiro, RJ; e Correspondente - António Maria de Assis, do Estoril, Portugal.
  • Atendimento a pesquisadores – Além das tardes de 3ª-feira, de 14 às 17h, com o diretor Guilherme Serra, já existe novo dia de atendimento presencial: toda sexta-feira, de 13 às 16h, com a diretora Regina Cascão. Lembramos que o CBG, desde 1988, ocupa espaço gentilmente cedido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro que, a partir do início do 2º semestre, estabeleceu o período de funcionamento de suas dependências exclusivamente no período da tarde, a partir de 13h. Assim, não há, pelo menos no momento, como o CBG oferecer o período da manhã como horário alternativo de atendimento.
  • Biblioteca - Informamos aos novos associados - e recordamos aos antigos - que o Estatuto CBG traz em seu Art. 12 - item b a obrigação do associado em "doar à biblioteca um exemplar das publicações de sua autoria nas áreas de interesse do Colégio". Em razão do exíguo espaço para guarda, só temos como adicionar a nosso acervo obras eminentemente genealógicas ou que tenham, em seu conteúdo, pelo menos uma boa parte que trate de genealogia, nossa precípua razão de existência.
    Registramos nossos sinceros agradecimentos aos que enviaram volumes de sua autoria ou de outrem, para ampliar o acervo de nossa biblioteca. São os seguintes os livros registrados no período:
    • A Semente – Uma Hipótese sobre a Origem dos Senhores da Maia, século X – de Francisco Antonio Doria, doação do autor.
      Apresenta as origens da família da Maia, um dos cinco clãs fundadores de Portugal no século X, ancestral de muito da população portuguesa e brasileira de hoje, apresentando-a com possível ascendência nos idríssidas do Marrocos e em Maomé, Profeta do Islã.
    • Demais Títulos Familiares - Tomos 1 e 2 - de Cândido Pinheiro Korem de Lima, doação da Fundação Gilberto Freyre, Pernambuco.
      Outro trabalho do projeto desenvolvido pelo autor de registrar, com base em Borges da Fonseca, a origem do povo do NE, desta vez apresentando 53 famílias nordestinas do período colonial, com suas origens e entrelaçamentos com os demais troncos: Alcoforado, Gadelha, Leitão Arnoso, Monteiro, Moura, Mendonça Furtado, Escócio Dormond, Teixeira Coelho, Regueira, Saldanha, Tenório, etc.
    • Irving Louis Miller – from Orangebourgh to Brazil – de Marcio Miller, doação do autor.
      Escrito em Inglês e apresentado em duas partes em publicação da Orangeburg County Historical Society – OCHS (organização dedicada à história de Família) trata da ascendência e da vida de Irving Loius Miller, estadunidense, que após a Guerra Civil, com esposa e sete filhos muda-se para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 16.05.1867.

Notas de Falecimento

  • Leonel Corrêa Salgueiro - Nascido em 23 de maio de 1949, era filho de Leonel Nunes Salgueiro e Lygia Correa Nunes Salgueiro, faleceu no Rio de Janeiro a 30 de março. Era corretor de imóveis, associado do CBG desde 05.04.2010, e velho conhecido de muitos de nós deste os tempos de consulta aos microfilmes no CHF da Igreja Mórmon no Andaraí, zona norte do Rio. Era o mais assíduo associado presente nos dias de atendimento do Colégio, onde realizava pesquisa sobre os sobrenomes de seus inúmeros amigos, de quem tinha sempre histórias para contar.
  • David Ferreira de Gouveia – Nasceu a 25 de setembro de 1930, no Funchal, Ilha da Madeira, Portugal, filho de Moysés Ferreira de Gouveia e Martha de Freitas e Gouveia. Radicado há muitos anos em São Paulo, foi associado do antigo Instituto Genealógico Brasileiro. Suas pesquisas e publicações tratavam sempre da terra natal. Autor de diversos artigos nas publicações do Arquivo Histórico da Madeira, Revista das Artes e da História da Madeira; na Revista Genealógica Latina (RGL), na Revista Atlântico – Islena e outras. Foi o CBG informado, por correspondência da filha Regina, de seu falecimento na cidade de São Paulo a 17 de junho deste ano.
  • Edivaldo Machado Boaventura - Filho de Osvaldo Abreu Boaventura e Edith Machado Boaventura, nasceu em Feira de Santana, Bahia, em 10 de dezembro de 1933. Advogado, professor. Graduado em Direito (1959), em Ciências Sociais (1969) pela UFBA. Mestre e PhD em Educação nos Estados Unidos. Doutor em Direito pela UFBA. Foi diretor-geral do jornal A Tarde, presidente do Conselho de Educação da Bahia e secretário de Educação e Cultura da Bahia por duas vezes. Agraciado com várias condecorações e medalhas. Cidadão de dezenas de municípios baianos. Membro da Ordem e Instituto dos Advogados da Bahia, Associação Nacional de Política e Administração de Educação (Anpae), Associação Nacional e Pós-Graduação em Educação (ANPED), Phi Delta Kappa, Alummi Fellow Ward 1989, Penn State University, Pen Clube do Brasil. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia (que presidiu), da Academia de Letras de Feira de Santana, da Academia Brasileira de Educação, Academia Portuguesa de História; dos Institutos Histórico e Geográfico Brasileiro, Geográfico e Histórico da Bahia, e de Geografia e História Militar do Brasil. Associou-se ao Colégio Brasileiro de Genealogia em 31.12.1989. Autor de inúmeras obras e artigos sobre educação, cultura, história. Faleceu em Salvador, BA a 22 de agosto p.p.

O Cemitério no Brasil

por Edmar da Silva*
Publicado no Jornal O Popular, Goiás, 2001. Contribuição de Adinalzir Pereira Lamego

O fim da vida, a decomposição da matéria, o encontro com Deus ou com o diabo, a incerteza da vida após a morte, além da constante angústia por não saber de que forma acontecerá a própria morte: facadas, tiros, doenças, acidentes, de repente, etc., o fato é que não temos como fugir, e não discuti-la nos proporciona um certo conforto e esperança. Apesar de ser conhecida por todos, a morte e seus rituais exigem a construção de novas reflexões, numa perspectiva mais econômica e menos religiosa, mais exploradora e menos sentimentalista, entrelaçando os valores, os preços, os modelos, os lugares e os rituais, que definem o novo perfil econômico-social estabelecido pelo ato de morrer.

Maria Inês Cortêz de Oliveira sustenta que os funerais representavam um ritual de nivelamento social. ''A morte era uma das poucas chances, e a última, de estabelecer simbolicamente a igualdade entre brancos e negros, escravos e senhores, ricos e pobres. Viver mal, mas morrer bem, seria o lema. O pobre que consumia economias ou entrava numa irmandade para ser enterrado com dignidade talvez desejasse se igualar aos poderosos pelo menos uma vez na vida. Mas os poderosos repetidamente faziam da hora da morte uma ocasião de reafirmar a distinção social em que viveram, contratando inclusive os pobres para esse fim''.

Devemos questionar essa ideia do "ritual de nivelamento social" como conceito de morte. Aliás, é possível ver nitidamente as contradições socioeconômicas dentro de um cemitério, seja pela quantidade de mármores nos túmulos e mausoléus, seja pelo cemitério escolhido para o enterro, seja pelas coroas de flores ou pelo preço do sepultamento. Todos morremos, contudo a duração de nossas vidas e as formas com as quais teremos nosso fim são diferentes segundo as classes em que estamos inseridos. O certo é que a morte é um fator social e temporal, morre-se dentro do horizonte cultural e de classe em que se viveu, não se morre da mesma maneira em nossos dias que na Idade Média ou no período do Brasil imperial. Não se morre da mesma maneira num bairro operário ou numa mansão dos bairros de classes média e rica. Existem diferenças, contradições econômicas, não em favor ou benefício do morto, mas para satisfação dos vivos em fazer da morte uma reafirmação dos seus mecanismos opressores.

No Brasil dos primeiros séculos, transferiu-se de Portugal o hábito dos sepultamentos nas igrejas. Mas já dentro da Casa do Senhor era nítida uma certa classificação (discriminação) de indivíduos, de forma que quem mais houvesse contribuído com donativos para a igreja teria o direito incondicional de ser enterrado mais próximo do altar-mor, e os ricos e endinheirados ainda chegavam a construir lápides, muitas delas destruídas após a instituição dos cemitérios civis no século 19.

As pessoas vitimadas por doenças contagiosas eram enterradas longe das igrejas, e foi em 1774 que o bispo Frei Dom Manuel da Ressurreição, em São Paulo, resolveu adotar o mesmo critério para os indigentes escravos e suplicados, escolhendo um terreno pertencente à Mitra, em frente à Chácara dos Ingleses, mais tarde chamado de Largo de São Paulo e Praça Almeida Júnior, onde se chegava pela atual Rua da Glória e que era delimitada pelas atuais Ruas dos Estudantes, Galvão Bueno e Liberdade.

No final do Antigo Regime, após a Revolução Francesa, a Europa já havia separado os mortos dos vivos, criando os cemitérios ao ar livre, longe dos perímetros urbanos, para efeito de saneamento básico. O Brasil colonial também adere à ideia, e em 1801 o príncipe regente lança a primeira lei colonial, a Carta Régia nº 18, de 14 de janeiro, regulamentando as práticas vigentes de sepultamento e combatendo todo tipo de enterros dentro dos limites urbanos. O que o príncipe regente não contava era com a resistência da população e das irmandades.

Da população, devido à mentalidade herdada da Idade Média, segundo a qual se não fossem enterrados dentro da igreja, ou em suas imediações, não alcançariam a graça de Deus. Das irmandades, pelo medo de perder suas fortunas, de donativos e heranças passadas às irmandades por procurações, ou até mesmo sem procurações, quando o falecido não tinha herdeiros.

Em virtude das manifestações contrárias, essa lei ficou arquivada por 27 anos. Nem a transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808 fez com que ela tivesse êxito. Somente em 28 de outubro de 1828, quando D. Pedro I elabora a lei de estruturação dos municípios, que dispunha no artigo 66, parágrafo 2º, sobre a recomendação às Câmaras Municipais para elaborar posturas relativas ao estabelecimento dos cemitérios fora dos recintos dos templos, é que as determinações foram efetivamente cumpridas.

Depois de toda essa resistência, o melhor ficou estabelecido: a igreja enterrava seus mortos, e o cemitério ficava para aqueles que não faziam parte das irmandades. Logo, os nobres do Império perceberam que os cemitérios permitiam mais condições de ostentação do que as lápides sepulcrais das igrejas, e então começaram a proliferar, nos primeiros cemitérios, os grandes mausoléus, com o objetivo único de mostrar a posição de destaque econômico, social e político dos seus ocupantes. A morte agora é um grande espetáculo, e o cemitério passa a ser um lugar privilegiado para demonstrações de força e poder sem precedentes. Os segmentos dominantes exibem-se despudoradamente, expondo todo seu prestígio e imprimindo com vigor a sua marca. Opulência, ostentação, luxo, grandiloquência são as palavras de ordem nesse momento. Triunfo, a palavra-chave. Artistas renomados são contratados para a produção de obras então consideradas notáveis, importando da Europa concepções novas de arte tumular.

Quanto aos cemitérios populares, eram exíguos, sobrecarregados, geralmente abertos ou mal fechados, o que possibilitava que frequentemente animais fossem ali pastar e até cachorros e porcos desenterrassem cadáveres. Em alguns casos, eram depósitos de imundícies, não havia mausoléus ou monumentos, apenas simples placas indicativas do local em que cada morto estava sepultado, representadas pelas singelas lápides sepulcrais, ou apenas a cruz feita de galhos de árvore fincada na terra, demonstrando o contraste notável entre cemitérios e sepulturas.

*Edmar Torres Licori e Silva, advogado, professor universitário e historiador. Graduação em Direito pela Universidade Anhanguera de Goiás - UNI-ANHANGUERA. Licenciatura e Bacharelado em História pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC/GO. Mestrado em Educação Brasileira - PUC/GO. Atuou como professor na Universidade Estadual de Goiás–UEG, na Faculdade de Ciência e Educação de Rubiataba – FACER, na Escola Superior de Negócios – ESUP e na PUG-GO. Autor (e organizador) do livro "Entrelinhas do Direito - Uma Experiência da Disciplina Metodologia Científica" e de dezenas de artigos científicos em periódicos. Atualmente é advogado da Prefeitura Municipal de Goiânia / Secretaria Municipal de Saúde - SMS e professor de Direito Penal e Processo Penal no Preparatório Tempus Concursos.

Curiosidade – Os filhos de Seu Túni

Confiante na privilegiada memória da tia materna, já falecida, Regina Cascão apresenta os filhos do maranhense Antônio Lopes, Seu Túni, e da paraense Maria Quadro Lopes: Antônio Bernardelli de Salinas, Vandick Bernardelli de Salinas, Rocilda Piauilina Lopes, Filonila Piauilina Lopes, Edmir Piaulina Lopes, Francisco Potiguar de Macau, Jofre Brasileiro de Macau, Veneza Americana do Recife e Mauricéa do Recife. Fácil perceber onde nasceu cada um...

Genealogia do Rio de Janeiro – cont.

Segunda e última parte de artigo iniciado no boletim anterior Carta Mensal nº 143.

Recorte, autorizado pelo autor, de sua obra “Depois que atravessaram o mar: Família Castro e Grupos Afins (1568-1750-2011)”, incluindo correções, atualizações e acréscimos feitos para a segunda edição ainda não publicada.

BARÃO DE SANTA RITA, SEUS FILHOS E NETOS

por Jorge Ricardo Almeida Fonseca

2ª e última parte

3. Manoel Antônio Ribeiro de Castro, n. 15.06.1800. Faleceu em Campos dos Goitacazes, aos 22.01.1870. Casou aos 21.01.1829 com Maria Ignácia de Souto Maior, fal. em janeiro de 1877, ou bem pouco antes, filha de Joaquim Francisco Souto Maior e Gertrudes de Carvalho. Residiamm na Fazenda Canguera, em Campos dos Goitacazes. Pais de um filho único:

3.1 Manoel Joaquim Ribeiro de Castro. Casou com Maria da Conceição Peixoto, filha do tenente-coronel da cavalaria da Guarda Nacional, Germano Rodrigues Peixoto e de Maria Josepha da Silva Peixoto. Faleceram após 1888. Com sucessão.

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4. José Ribeiro de Castro / “2º Barão de Santa Rita” / “Visconde de Santa Rita”, n. Campos dos Goitacazes, aos 18.05.1802 e ali falecido aos 05.08.1890. Títulos de barão em julho de 1879 e de visconde aos 13.10.1883. Fundador, em 1884, da Usina Sapucaia, Engenho Central de Sapucaia, explorado pela firma Visconde de Santa Rita & Genro. Casou com a sobrinha Maria Antônia de Castro Netto / Maria Antônia Netto de Castro / “Viscondessa de Santa Rita” (1.1 anteriormente citada), filha de sua irmã Raquel Francisca Ribeiro de Castro, viscondessa de Muriaé, e Manoel Pinto Netto da Cruz, barão de Muriaé, já citados. Pais de:

4.1 Ana Raquel Netto de Castro / Ana Raquel de Castro Soares de Souza. n. Campos dos Goitacazes. Faleceu aos 21.04.1889. Casou no Rio de Janeiro, aos 16.06.1859, com João Belisário Soares de Sousa, n. Itaboraí (RJ), aos 28.05.1832, e fal. no Rio de Janeiro, aos 25.02.1895, bacharel em Direito pela Faculdade do Recife [1853], advogado, filho de Belisário Soares de Sousa e Mariana de Macedo Álvares de Azevedo. Com sucessão.

4.2 José Manoel Ribeiro de Castro. Faleceu no Rio de Janeiro, com 7 anos de idade.

4.3 Raquel Januária Netto de Castro / Raquel Januária de Castro Soares de Souza, n. cerca de 1841. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 30.05.1861. Casou no oratório da Fazenda S. Manoel do Muriaé, Quissamã aos 19.07.1860, com Bernardo Belisário Soares de Sousa, que lhe sobreviveu, filho de Bernardo Belisário Soares de Sousa e Mariana de Macedo Álvares de Azevedo. Sem sucessão.

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5. Julião Ribeiro de Castro, comendador, n. Campos dos Goitacazes, aos 14.04.1806. Faleceu aos 23.07.1888. Fidalgo cavaleiro da Casa Imperial [1830], e oficial da Ordem da Rosa [1847]. Um dos instituidores do Engenho Central do Queimado, aos 07.08.1880. Casou em Campos dos Goitacazes, aos 20.01.1844, com a sobrinha Maria Isabel de Castro Carneiro da Silva / Maria Isabel Carneiro de Castro (2.3 anteriormente citada), filha de sua irmã Francisca Antônia Ribeiro de Castro e José Carneiro da Silva, 1º visconde de Araruama. Pais de:

5.1 José Julião Ribeiro de Castro, coronel, n. Campos dos Goitacazes, aos 12.04.1845. Faleceu em Petrópolis (RJ), aos 14.07.1918. Fidalgo cavaleiro da Casa Imperial. Provedor da Santa Casa de Misericórdia [1891-1893]. Casou (1) aos 19.04.1866, com a prima Francisca Raquel Carneiro de Castro / Francisca Raquel Carneiro Ribeiro de Castro (8.2 adiante citada), filha de seu tio Joaquim Ribeiro de Castro e Ana Serafina Carneiro da Silva. Com sucessão. Casou (2) em Quissamã, aos 28.11.1882, com a prima Francisca Raquel Netto Carneiro da Silva / Francisca Raquel Carneiro Ribeiro de Castro, n. Quissamã, aos 03.02.1858, e falecida no Rio de Janeiro, aos 07.08.1944, filha de Bento Carneiro da Silva (2.2) e Raquel Francisca de Castro Netto, condes de Araruama. Com sucessão.

5.2 Ana Francisca Carneiro de Castro, n. 26.01.1847. Faleceu aos 06.03.1865. Casou aos 21.07.1864, com o tio materno e primo paterno João José Carneiro da Silva, barão de Monte do Cedro (2.10 anteriormente citado), filho de José Carneiro da Silva e Francisca Antonia Ribeiro de Castro, condes de Araruama, já citados. Sem sucessão.

5.3 Francisca Antônia Ribeiro de Castro / Francisca Antônia Carneiro de Castro / Baronesa de Monte de Cedro, n. Fazenda do Queimado, Campos dos Goitacazes, aos 22.02.1848. Faleceu em Petrópolis (RJ), aos 05.02.1921. Casou na Fazenda Quissamã, aos 19.04.1866, com o tio materno, primo paterno e cunhado João José Carneiro da Silva, barão de Monte do Cedro (2.10 anteriormente citado), viúvo de sua irmã Ana Francisca Carneiro de Castro. Com sucessão.

5.4. Maria Francisca Carneiro de Castro. Faleceu aos [21?].11.1881. Solteira.

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6. Francisco Ribeiro de Castro, n. 06.11.1807, fal. em julho de 1866, ou muito pouco antes. Vereador eleito á primeira legislatura da Câmara Municipal de São Fidélis (RJ). Cavaleiro da Ordem da Rosa. Coronel comandante da Guarda Nacional de São Fidélis, por decreto de 25.01.1861. Casou com Antonia Teresa de Souza. Viveram na Fazenda Grumarim, em S. Fidélis, onde em 1847 hospedou-se o imperador D. Pedro II quando de sua visita a Campos dos Goitacazes e arredores.
Em estudos a paternidade de

6.1 [Francisca?) “Chiquita”.

6.2 Ana.

6.3 Francisco Ribeiro de Castro Junior.

6.4 José Carlos Ribeiro de Castro. Faleceu em São Fidélis, aos [05?] 07.1888. Capitão secretário geral do comando superior da Guarda Nacional de S. Fidélis [out 1865]. Casou com Flora Barbosa, filha de Antônio Luiz Barbosa da Silva.

6.5 Manoel Carlos Ribeiro de Castro. Faleceu aos [18?] 03.1913. Proprietário de terras na Fazenda Grumarim, São Fidélis. Casou com Francisca Amélia Soares, falecida no Rio de Janeiro aos [24?] 02.1926. Com sucessão.

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7. Ana Francisca Ribeiro de Castro. Faleceu em data anterior a 1823. Casou com dr. Francisco Batista de Sousa Cabral, irmão do conselheiro José Bernardino Pereira de Almeida. Com sucessão.

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8. Joaquim Ribeiro de Castro, comendador, n. Fazenda do Queimado, Campos dos Goitacazes, aos 16.02.1813 e fal. aos [14?] 11.1868. Fazendeiro. Proprietário do Solar Guriri, Campos dos Goitacazes. Casou com a sobrinha Ana Serafina de Castro Carneiro / Ana Serafina Carneiro da Silva / Anna Seraphina Carneiro Ribeiro de Castro (2.1 anteriormente citada), filha de sua irmã Francisca Antônia Ribeiro de Castro e José Carneiro da Silva, 1° visconde de Araruama. Pais de:

8.1 Ana Francisca Ribeiro de Castro / Ana Francisca Carneiro de Castro / Ana Francisca de Castro Carneiro / “Viscondessa de Quissamã”, n. Fazenda Guriri, Campos dos Goitacazes, aos 07.04.1840. Faleceu em Quissamã, aos 23.12.1896. Casou em Campos dos Goitacazes, aos 14.02.1858, com o tio e primo José Caetano Carneiro da Silva / “Visconde de Quissamã” (2.8 anteriormente citado), filho de José Carneiro da Silva, 1° barão de Araruama, e de sua tia Francisca Antonia Ribeiro de Castro, já citados.

8.2 Francisca Raquel Carneiro de Castro / Francisca Raquel Carneiro Ribeiro de Castro, n. 24.05.1843 e fal. aos [19?] 03.1879. Casou aos 19.04.1866, com o primo José Julião Ribeiro de Castro (5.1 anteriormente citado), filho de seu tio Julião Ribeiro de Castro e Maria Isabel de Castro Carneiro da Silva. Com sucessão.

8.3 José Ribeiro de Castro Sobrinho, n. 11.11.1844 e fal. no Solar Boa Esperança, de sua propriedade, em Conde de Araruama, Quissamã, aos 15.09.1931. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de São Paulo [1867]. Fazendeiro, comerciante, industrial e financista. Diretor e presidente da Cia. Engenho Central de Quissamã. Construiu a Fazenda Boa Esperança. Casou aos 24.04.1869, com a prima Maria Carolina Netto Carneiro da Silva / Maria Carolina Carneiro da Silva Netto / Maria Carolina Carneiro Ribeiro de Castro, n. 14.04.1848, e falecida na Fazenda Boa Esperança, Quissamã, aos 16.10.1923, filha de Bento Carneiro da Silva (2.2) e Raquel Francisca de Castro Netto, condes de Araruama, já citados. Com sucessão.

8.4 Manoel Antônio Ribeiro de Castro, n. Campos dos Goitacazes, cerca de 1848 (ou 1840?). Faleceu em sua Fazenda Campo da Cidade, Campos de Goitacazes, aos 24.02.1890. Casou no Rio de Janeiro, aos 24.10.1860, com a prima Maria Isabel de Queirós Mattoso Ribeiro / Maria Isabel de Queirós Mattoso Ribeiro de Castro, n. Rio de Janeiro, e falecida aos 01.09.1894, filha do senador Euzébio de Queirós Coutinho Mattoso Câmara e Maria Custódia Ribeiro de Oliveira. Com sucessão.

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9. Antônio Ribeiro de Castro, n. Campos dos Goitacazes, aos 14.11.1815 e fal. no Rio de Janeiro [aos 09.07.1889?] . Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Grande proprietário rural no norte fluminense. Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa [1847]. Membro da maçonaria. Casou com a sobrinha Ana Joaquina de Castro Netto / Anna Netto Ribeiro de Castro (1.2 anteriormente citada), filha de sua irmã Raquel Francisca Ribeiro de Castro, viscondessa de Muriaé, e Manuel Pinto Netto da Cruz, barão de Muriaé, já citados. Pais de:

9.1 Manuel Pinto Ribeiro de Castro, n. cerca de 1843. Proprietário das fazendas da Baronesa (em Campos), Lumiar e Fruteiras (ambas em Macaé). Casou (1) com Maria Francisca Bittencourt / Maria Francisca Bittencourt de Castro, falecida ao [03?] 12.1880, filha do comendador João Nepomuceno Gomes Bittencourt e Ana Luísa Sobral. Com sucessão. Casou (2) em 1881, com Maria Antônia Ribeiro de Azevedo, filha de Manuel José Ribeiro de Azevedo e Ambrosina Antonia de Almeida Pinheiro. Sem sucessão.

9.2 Raquel Antonia Netto de Castro / Raquel Antonia Netto de Castro Chaves / Raquel Ribeiro de Castro Chaves, n. 1848. Faleceu em Campos dos Goitacazes, aos 21.11.1877. Casou em Campos dos Goitacazes, aos 11.10.1863, com Antônio Rodrigues Fernandes Chaves, n. Montevideo, Uruguai, aos 20.04.1839, e falecido em Niterói, aos 30.07.1902, advogado, juiz em Itapemirim (ES), filho de Pedro Rodrigues Fernandes Chaves, barão de Quaraim, e Maria José Machado. Com sucessão.

9.3 Jerônimo Pinto Netto Sobrinho. Conde. Casou em 1864, com Felizarda Alchimena [Pereira Rabelo?] Gavinho. A confirmar terem sido pais de: Augusto Mariano Ribeiro de Castro, Rachel Francisca Ribeiro de Castro, Anna Joaquina Ribeiro de Castro, Elisa Octaviana Ribeiro de Castro e Luiza Maria Ribeiro de Castro.

Em estudos a paternidade de:

9.4 Anna Isabel Netto Ribeiro de Castro, n. cerca de 1840.

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10. Jerônimo Ribeiro de Castro, n. 20.03.1820. Faleceu em data anterior a 1892. Proprietário da Fazenda Dores. Casou com a sobrinha Úrsula Carolina de Almeida Pereira / Urçula Carolina de Almeida Castro, n. 15.08.1827, e falecida em Quissamã, aos 25.05.1897, filha de seu irmão materno João de Almeida Pereira e Ana Luiza de Almeida. Pais de:

10.1. Manoel Jeronymo Ribeiro de Castro, n. [São José do Paraíso, São Fidélis (RJ), aos 21.12.1870?]. Seria o mesmo Manoel Jeronymo Ribeiro de Castro, que foi interno, na condição de órfão, no Seminário do Caraça, em Minas Gerais, no ano de 1885, e que foi professor de latim, francês e português, por mais de 51 anos, havendo residido em Pará de Minas (MG), estabelecendo-se, posteriormente, em Queluz de Minas, atual cidade de Conselheiro Lafaiete (MG), onde foi farmacêutico? Casou (1) com a prima em 2º grau duplicado Maria Justina Carneiro da Silva / Maria Justina Carneiro Ribeiro de Castro, n. 04.04.1875, e falecida em Quissamã, aos 03.04.1897, filha de seus primos carnais José Caetano Carneiro da Silva e Ana Francisca Carneiro de Castro (Viscondes de Quissamã), já citados. Com sucessão. Casou (2) com N, nascida na Dinamarca. Com sucessão.

10.2 Maria da Conceição Ribeiro de Castro / Maria da Conceição de Castro de Almeida Pereira / Maria da Conceição de Castro Carneiro da Silva, n. 26.01.1871. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 29.09.1925, sendo sepultada em Quissamã. Casou (1) aos 13 anos, com o primo em 2o grau Francisco [Solano] de Almeida Pereira, n. cerca de 1858, filho de sua prima Maria Joaquina Carneiro da Silva e do comendador Antonio Álvares de Almeida Pereira. Com sucessão. Casou (2) com o primo em 2o grau duplicado Joaquim Carneiro da Silva / “Quinquim”, n. 14.11.1868, e falecido na Fazenda Mandiquera, Quissamã, em janeiro de 1940, filho de seus primos carnais José Caetano Carneiro da Silva e Ana Francisca de Castro (viscondes de Quissamã). Com sucessão.

Genealogia no Ceará

A FAMÍLIA CASTELO BRANCO DE BATURITÉ

Vinicius Barros Leal
Artigo publicado no jornal “A Verdade” nº. 3.017 de 1991.

A família Castelo Branco não foi das primeiras a chegar em Baturité, mas ali já se encontrava no começo do século XIX. Veio de Quixeramobim, onde estava instalada com fazendas de gado.

O Patriarca do Clã foi o português Tenente Coronel Matias Pereira Castelo Branco, natural de Viseu. Vindo solteiro para o Brasil e aqui chegando nos anos trinta do século XVIII. Casou-se na Ribeira do Jaguaribe com Emerenciana Barbalho, descendente dos Correia - Vieiras, gente das mais abonadas da região. O casal fixou-se nas terras da família que eram muitas, abrangendo fazendas e currais nas margens do Sitiá e do Quixeramobim.

Desse casamento nasceram onze filhos que por casamento se entrelaçaram com muitas outras famílias de criadores da mesma região. Os Pimenta de Aguiar, Saraiva Leão e Leitão foram os que mais constituíram união com os Castelo Branco.

Para Baturité e sua serra dirigiram-se os interesses da família, em vista da boa qualidade das terras propícias para a agricultura e também pela necessidade que tinham de possuir pastos salvadores dos grandes rebanhos, nas freqüentes e temíveis estiagens.

O Tenente Coronel aparece cedo nos registros eclesiásticos, testemunhando casamentos, apadrinhando filhos de serranos e também, nos deveres cívicos. De seus filhos, o que mais influência teve em Baturité foi o Capitão Antonio Pereira Castelo Branco, nascido em 1750 e casado com D. Francisca Maria Leitão. Foram muitos os filhos deste casal, alguns participando ativamente da vida local, especialmente o Coronel Manuel Felipe, que casou em Baturité, com Isabel Gomes da Silveira. O sogro de Manuel Felipe era um verdadeiro potentado, com muito prestigio político e social, o Coronel João Gomes da Silveira, filho do fundador da família Silveira, paraibano de Mamanguape, Capitão Luiz Gomes da Silveira.

Manuel Felipe tinha um temperamento inquieto e envolveu-se nos principais acontecimentos locais, desde os movimentos revolucionários de 1817, 1821 e 1824. Esteve sempre na dianteira dos que se rebelavam e protestavam contra a situação corrente. Por isso, sofreu sérias consequências minorizadas por sua habilidade e astúcia. Teve querelas e atritos com muitos elementos conservadores de seu partido e brigou até com o respeitável vigário. Este, vingava-se, anotando nos livros de registros os ápodos do truculento paroquiano. Sempre que era necessário referir-se ao nome de Manuel Felipe, o Sr. Vigário acrescentava a zombaria “Castelo no ar”.

Manuel Felipe, inteligente e de algumas letras, gostava de fazer versos de natureza política e divulgava-os como podia. João Brígido, em “Ceará – Homens e fatos”, cita alguns. Um deles, tendo como mote “todo corcunda é malvado”, mexe com muita gente do Ceará inteiro, até com parentes do autor, residentes nos Inhamuns e ligados à importante família Feitosa.

Dos filhos de Manuel Felipe o que mais influência exerceu em Baturité foi o Tenente Coronel Pedro José nascido em 1818 e falecido em 1877. Este foi de fato, o maior chefe político de Baturité no século XIX. Muitas vezes presidiu à Câmara Municipal e faleceu deputado Provincial. Tinha o apelido de “Pedro Cru” e foi casado com uma sobrinha, filha de seu irmão José, D. Teresa Antonia. Deste casal descendem muitos baturiteenses de projeção. Foram seus genros os comerciantes João Correia Lima, Balduino José de Oliveira, Porfírio Gurgel do Amaral, Francisco Bezerra de Menezes Soares, o professor Manuel Egídio da Costa Nogueira, desses casais sendo descendentes os Taumaturgos, Pinheiros, Falcões, Severiano Maciel, Paiva e Silva, Soares Arruda, Matos Brito e tantos outros. O ministro Waldemar Falcão, o advogado Lauro Maciel, Érico Paiva, o Coronel Mário Ramos, os irmãos Luiz e Carlos Soares Arruda são descendentes de Pedro José.

A família foi proprietária de sítios na serra, sendo as melhores glebas as que conservam os mesmos nomes de Salvaterra e Correntes, nas margens do riacho Cruz, terras que se estendem até perto de Mulungu.

Os Alves de Carvalho também se ligam aos Castelo Branco.

Outros filhos de Manuel Felipe originaram novas famílias, sendo Venâncio Castelo a que maior destaque teve, com propriedades de grande produção de café. Por sinal, foi o velho tronco familiar, Manuel Felipe, quem trouxe a rubiácea para a serra. A família cresceu tanto que extrapolou as fronteiras municipais e estaduais. Não há, no entanto nenhuma ligação com a família do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, proveniente do Piauí onde se instalou o nobre lusitano que veio dirigir aquela Província.

Também de Manuel Felipe foi irmã D. Teresa Antonia que casou com o primo João Batista da Costa Coelho, e deste casal foi filho o Dr. Antonio Benicio, Juiz da Comarca, progenitor de grande e ilustre família conterrânea.

Manuel Felipe teve dois outros filhos, José Pereira e Alexandre, que muito concorreram para o povoamento da região, chefes que foram de novas famílias que se entrelaçaram com as mais tradicionais da região do maciço.

Leões Titulares do Império

Antônio de Souza Leão - Barão de Morenos (1870)

Augusto de Souza Leão – Barão de Caiará (1885)

Brás Carneiro Leão – Barão de São Brás (1871)

Domingos de Souza Leão – Barão de Vila Bela (1866)

Domingos Francisco de Souza Leão – Barão (1867) e depois Visconde de Tabatinga (1883)

Henrique Hermeto Carneiro Leão – Barão do Paraná (1888)

Honório Hermeto Carneiro Leão – Visconde (1852) e depois Marquês do Paraná (1854)

Inácio Joaquim de Souza Leão - Barão de Souza Leão (1889)

Joaquim de Souza Leão – Barão (1867) e depois Visconde do Campo Alegre (1884)

José Alexandre Carneiro Leão – Visconde de São Salvador dos Campos dos Goitacazes (1843)

José Fernando Carneiro Leão – Barão (1825) e depois Conde de Vila Nova de São José (1826)

José de Souza Leão – Barão de Gurjaú (1883)

Nicolau Neto Carneiro Leão – Barão de Santa Maria (1871)

Umbelino de Paula de Souza Leão – Barão de Jaboatão (1873)

Eventos do CBG

ARQUIVO NACIONAL E O CBG

O Arquivo Nacional, criado em 1838, é o órgão central do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivos-SIGA, da administração pública federal, integrante da estrutura do Ministério da Justiça. Tem por finalidade implementar e acompanhar a política nacional de arquivos, definida pelo Conselho Nacional de Arquivos - Conarq, por meio da gestão, do recolhimento, do tratamento técnico, da preservação e da divulgação do patrimônio documental do País, garantindo pleno acesso à informação, visando apoiar as decisões governamentais de caráter político-administrativo, o cidadão na defesa de seus direitos e de incentivar a produção de conhecimento científico e cultural.O conjunto de prédios onde tem a sua sede, no Rio de Janeiro, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Assim se apresenta o AN brasileiro em publicação institucional. E foi esse o local escolhido pelo Colégio para realizar sua primeira atividade do 2º semestre de 2018. Com a participação de associados, e organização da diretora Leila Ossola, deu-se a visita no dia 25 de julho.

O prédio

Ali funcionava originalmente a Casa da Moeda do Brasil. Criada pelo decreto de 23-01-1697, a Casa da Moeda havia funcionado em diversos edifícios, entre eles a Casa dos Governadores, hoje Paço Imperial. Quem visitou o Paço já teve oportunidade de ver, no térreo, parte das instalações onde era fundido o ouro extraído em Minas Gerais. Em 1853, o ministro da Fazenda solicitou às Câmaras o crédito necessário para a construção de uma sede própria, e em dezembro de 1858 lançou-se a pedra fundamental do que viria a ser o prédio da Casa da Moeda.

Situada na face ocidental da Praça da República – que é popularmente chamada ainda de Campo de Santana, como em tempos idos, a construção “é considerada um dos marcos da arquitetura neoclássica no Brasil. No centro da fachada, um corpo avançado com pórtico monumental, precedido de larga escadaria e encimado por pesado frontão triangular. Nas extremidades, dois pequenos corpos em destaque, também encimados por frontões triangulares. É importante o uso monumental dos três frontões, raro no século XIX brasileiro.” ('Guia do Rio – As maravilhas da cidade' – Frente Editora, s.d.)

Até 1982, o prédio abrigou a Casa da Moeda, quando se dá a mudança do Centro da cidade para o Distrito Industrial de Santa Cruz, zona oeste. O uso da edificação é, então, transferido para o Arquivo Nacional, que nela instala a sua sede.

No início da visita, a diretora Regina Cascão “apresentou” estruturalmente o prédio aos visitantes, apresentação esta finalizada com menção a uma curiosidade. Muita gente acredita que houve uma troca de plantas entre a Casa da Moeda brasileira e o palácio presidencial do Chile – por isso chamado Casa de La Moneda. A explicação seria que os projetos teriam vindo da Europa; que os rolos de papel com os detalhes do palácio presidencial chileno, por confusão, teriam desembarcado no Rio de Janeiro; e que os planos destinados à construção da Casa da Moeda do Império teriam virado pelo Cabo Horn, desembarcado em Valparaíso e finalmente levados até Santiago do Chile.

Mas a realidade é bem mais prosaica...

Os dois prédios são de épocas diferentes: as obras no Chile são de 1786 e terminam em 1812, e a ordem para construir aqui é de 1852, finalizando em 1868. Os planos não foram encomendados da Europa, foram feitos na América do Sul. No Rio, o projeto é dos engenheiros Teodoro de Oliveira (geralmente o mais citado) e Antonio Francisco Guimarães Pinheiro (quase sempre esquecido). E no Chile o projeto é do italiano Gioacchino Toesca > Joaquín Todesca, que estava há 6 anos em Santiago para concluir a construção da catedral da cidade.

No Chile, a construção termina em meio a várias guerras pela independência de lá e de outros países da América Latina. Em 1814 - ali se cunham as 1as moedas do Chile independente. Em 1845, passa ser usada como sede do governo chileno e residência dos presidentes. Por quase um século houve o uso conjunto palácio presidencial e Casa da Moeda, quando então dá-se, a separação – a repartição muda-se para outro prédio e o Palácio de La Moneda fica sendo apenas palácio presidencial. Além do mais, o estilo do palácio chileno é neoclássico italiano puro, e no Rio de Janeiro temos no Arquivo nacional o chamado neoclássico adaptado ao Brasil, que alguns chamam de Imperial Brasileiro.

Talvez esta lenda tenha surgido porque nosso prédio tem mais jeito de palácio do que o chileno, chamado pelos cidadãos de lá de “caixa de sapatos”, ressalvando: “excelente caixa de sapatos”. O prédio brasileiro parece mais um palácio presidencial, com sua imponente escadaria, colunas dóricas no andar de baixo e jônicas no andar de cima. E imaginemos o tanto de imponência que ele tinha no final do século XIX, reinando impávido numa região vazia frente a um parque aberto!!

Pois bem, foi nesse espaço de representativa arquitetura brasileira e pleno de história, que se deu a visita do CBG, guiada pela gentil funcionária Valéria Morse.

O Arquivo Nacional possui um acervo composto por documentação textual (manuscritos, impressos), documentação cartográfica (mapas, plantas), acervo sonoro (discos e fitas de áudio), acervo de imagens em movimento (filmes, vídeos) e registros iconográficos (fotografias, negativos, cartões-postais, desenhos, gravuras, etc); uma biblioteca especializada em história, arquivologia, ciência da informação e administração pública; e um importante conjunto de obras raras.

Iniciamos a visita assistindo um vídeo institucional muito interessante e, ainda na sala de projeção, houve uma produtiva troca de ideias e experiências com Valéria, onde, como usuários do SIAN – Sistema de Informações do Arquivo Nacional, apontamos algumas dificuldades que o pesquisador pode encontrar – e em geral encontra - ao utilizá-lo. arriscando-nos até mesmo a sugerir alguns pontos que poderiam facilitar essa utilização.

Cruzamos o encantador pátio interno e fomos levados a alguns pontos que têm a ver com nossa atividade. Visitamos a seção de iconografia, onde conhecemos os diversos tipos de fotos e imagens, sua importância como registro histórico, sua preservação e muito mais.

Percorremos corredores e circuitos de trilhos que foram caminho dos vagões de numerário, entramos em antigos cofres; admiramos o projeto de arquitetura que adaptou os amplos espaços, dando-lhes funcionalidade sem ferir na necessária preservação de um prédio tombado pelo Patrimônio Nacional; crivamos de perguntas a funcionária encarregada dos documentos textuais do Executivo, que nos esperava já ciente de que o material com que trabalha sua equipe é do interesse de muitos genealogistas: os originais da documentação de títulos do Império, de ordens honoríficas e graças, e outros similares.

Conhecemos os cuidados, as técnicas, a pesquisa, e os modos de guarda e acondicionamento do material em texto; até pudemos examinar mais de perto alguns documentos, como autos da Inconfidência e um decreto da Ordem de D. Pedro I, concedida em 1826 a “Theodoro Teixeira Gomes, Negociante matriculado, residente e natural da Província da Bahia”, bem como todo o processo dessa concessão, o que despertou muita curiosidade.


Associados do CBG participantes, da E > D:
Padre Jahnel, Patricia, Matheus, Ignez, Leila, Paulo Fernando, Regina, Maria Lucia e Augusto.

O LEGADO CULTURAL DA VISCONDESSA DE CAVALCANTI

A segunda atividade promovida pelo CBG no semestre foi a palestra proferida pela Profª Drª Vera Lúcia Cabana de Andrade, mais conhecida pelo nome acadêmico de Vera Cabana de Andrade. A palestrante é uma dileta amiga do Colégio, e apresentou no dia 23 de agosto a associados e convidados um pouco da fascinante figura tema de sua tese de pós-doutorado.


Vera Cabana de Andrade é professora de História formada pela antiga UEG – Universidade do Estado da Guanabara, hoje UERJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em História Política pelo Centro de Ciências Sociais -CCS/UERJ. Doutora em História Social pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais – IFCS da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Professora aposentada da UERJ, onde trabalhou no Colégio de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira - CAP (Professora/Coordenadora/Chefe de Departamento/Vice Diretora); no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - IFCH (Professora de História Ibérica e de História Moderna), e na Faculdade de Educação – EDU (Professora de Metodologia do Ensino da História e de Prática de Ensino). Também professora aposentada do Colégio Pedro II – Unidade Centro (Professora de Ensino Fundamental e Médio / Coordenadora de Disciplina), além de criadora − e por 10 anos Coordenadora − do Núcleo de Documentação e Memória - NUDOM/CP II. Atualmente é membro da Comissão de Memória Histórica do Colégio Pedro II.

No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB é sócia Honorária, membro da Comissão de Pesquisas Históricas - CEPHAS e da Comissão Memória dos Sócios. Sócia da Associação Nacional dos Professores Universitários de História - ANPUH. Assessora Pedagógica do Departamento Acadêmico de Desenvolvimento e Projetos de Inovações - DEAPI/SR1/UERJ. Sócia Efetiva, e atual Diretora 2ª Secretária, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro – IHGRJ e sócia Titular do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói – IHGN.

Vera Cabana trouxe aos presentes a fascinante figura de Amélia Machado Cavalcanti de Albuquerque (1852-1946), nascida no Rio de Janeiro, esposa de Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque, Visconde de Cavalcanti. Uma bela mulher, de rara inteligência, considerada uma das mais notáveis damas da corte no Segundo Reinado. Seus saraus e festas eram frequentados por nobres, autoridades, e a nata da intelectualidade brasileira de então. O Salão da Viscondessa de Cavalcanti era um dos mais elegantes centros da alta sociedade do Rio, onde vicejava a cultura e onde tratados e acordos políticos eram sutilmente conduzidos pela fascinante anfitriã.

Fina, educada, culta, pesquisadora, escritora, numismata, colecionadora, hábil estrategista política – enfim, uma encantadora personagem da história brasileira, que foi dignamente apresentada pelo conhecimento profundo da palestrante.

VISITA AO CENTRO DE MEMÓRIA DA IMIGRAÇÃO DA ILHA DAS FLORES
E À FORTALEZA DE SANTA CRUZ DA BARRA


No dia 22 de setembro aconteceu a terceira atividade cultural promovida pelo CBG, cuja sede se encontra à beira da baía de Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro. Do outro lado da baía, nos municípios vizinhos de São Gonçalo e Niterói, associados, seus parentes e convidados foram conhecer os dois locais citados no título acima.

Nossa primeira visita foi à Ilha das Flores, que deve seu nome a Delfina Felicidade do Nascimento Flores, proprietária da ilha no início do século XIX. Em seus 50.162 m2 funcionou a primeira hospedaria de imigrantes criada pelo governo imperial do Brasil. Entre 1857 e 1883, a ilha foi uma fazenda de produção de mandioca e de piscicultura. Em 1883, o governo do Império do Brasil a adquiriu e oficializou a Hospedaria de Imigrantes do Rio de Janeiro, também chamada de Hospedaria Central, que existiu até 1966.

Em mais de oitenta anos (1883-1966), ela recebeu portugueses, espanhóis, italianos, alemães, russos, letões, poloneses, árabes e judeus, entre outros grupos.


Também abrigou migrantes nacionais e funcionou como presídio durante a I Guerra Mundial, a Revolta Constitucionalista de São Paulo (1932), a Revolta Comunista (1935), a II Guerra Mundial (1942) e o Regime Militar (1969-1971). Em 1971, sob o controle do ministério da Marinha, foi estabelecido, na Ilha das Flores, o Comando da Tropa de Reforço do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil.

Recepcionado com a tradicional fidalguia dos encarregados pela visitação, o grupo “cebegeano” conheceu as construções da antiga hospedaria, datadas do final do século XIX e primeira metade do século XX, recebendo informações sobre os lugares outrora ocupados por funcionários e imigrantes, como dormitórios e salão de refeições onde até 3.000 pessoas se reuniam. Percorrendo o chamado Circuito a Céu Aberto, estivemos, entre outros, no Cais do Bote, que no passado era o lugar de trânsito entre a Ilha e as cidades de S.Gonçalo e Niterói, e que por conta de aterro efetuado, não mais se encontra à beira d'água. Em seu interior, a maquete que, juntamente com vídeo projetado, deram-nos perfeita noção da distribuição das edificações, a geografia de todo o espaço e as modificações acontecidas ao longo do tempo.

Visitamos a capela de Sta. Terezinha, construída por devoção da esposa de médico imigrante, e que acabou por conseguir emprego em sua profissão na própria hospedaria; a “praia do diretor”, onde as seis crianças integrantes do grupo se encantaram com uma grande tartaruga mergulhava que emergia como se se exibisse. Vimos as alas dos inúmeros alojamentos e a portentosa caixa d'água, também objeto de admiração pela meninada, além de outros locais e espaços ao ar livre, contemplando o mar, curtindo o sol e aproveitando a sombra de inúmeras árvores centenárias, sob o constante e dedicado acompanhamento da jovem Vanessa, graduada e mestranda em História pela UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro.



Após a visita à Ilha das Flores, o intervalo para almoço no bairro de S. Francisco, Niterói. Antes de seguir viagem, visitamos a Igreja de São Francisco Xavier, situada numa elevação bem ao lado do restaurante, e construída entre 1662 e 1696. Cercada de frondosas mangueiras e com vista panorâmica, a igreja é um interessante exemplar da arquitetura jesuítica. Depois da visita, seguimos para a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, na mesma cidade.

A fortaleza foi, durante os períodos de colônia e império brasileiro, a principal estrutura defensiva da baía de Guanabara e do porto do Rio de Janeiro. Em 1555, Villegaignon improvisou uma fortificação para a defesa da entrada da Baía de Guanabara que, 2 anos depois, foi tomada por Mem de Sá e ampliada, recebendo o nome de N. Srª. da Guia, origem da fortaleza de Santa Cruz. Com uma área construída de 7.153 m2, passou por reformas e teve seu poder de fogo ampliado por ordem do Vice-Rei Conde de Cunha, visando proteger o embarque de ouro de Minas Gerais, feito no porto do Rio de Janeiro.

Participou de momentos importantes de nossa história, impedindo invasões francesas e holandesas. Foi também presídio, recebendo figuras ilustres como José Bonifácio, Bento Gonçalves e Euclides da Cunha. Durante a revolta da armada, lutou contra o Forte de Villegaignon. Em 1922, na Revolta Tenentista, disparou contra o Forte Copacabana. Seu último disparo, contra o cruzador Tamandaré, foi dado em 1955. Guarnecida até os dias de hoje, a Fortaleza é atualmente a sede da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército e recebe uma média de dois mil visitantes por mês.

Guiados por um jovem soldado, apreciamos o relógio de sol (em pedra de lioz, com algarismos romanos, datado de 1820), as celas, a Capela de Santa Bárbara, as masmorras, o Salão de Pedra (antigo paiol), as baterias de artilharia, o farol, o mastro da bandeira e a vista privilegiada da barra e da cidade do Rio de Janeiro.


Cela



Bateria de canhões

A cela acima era fechada por uma porta de ferro maciço, e ficava em completa escuridão. Grupos de prisioneiros como corsários e invasores entraram nesta cela e nunca mais saíram. Abaixo, na foto da direita, um outro tipo de cela que se volta para um pátio aberto. A cela não continha janelas, e algumas não tinham altura suficiente para que os prisioneiros ficassem em pé, como se vê.


Farol


Juliana, Regina, Matheus, Juliane


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Ficamos muito gratos pelos momentos agradáveis do sábado, no passeio organizado pelo CBG. (Sergio e Silvana)

Um passeio lindo. Dois lugares históricos importantes para nossa cultura com guias eficientes em suas explanações. Veiculo confortável, motorista cortês e prestativo, lanche a bordo, diretora guia que nos deu muita atenção e informações durante todo o trajeto, restaurante excelente.Tudo foi muito bom. Já estou aguardando o próximo passeio cultural. Obrigada pelo ótimo sábado. (Ignez)

Excelente. Horário cumprido, ótimo lanchinho a bordo, restaurante muito bom, visitas bem organizadas, guias preparados nos locais. As diretoras que coordenaram são “pra lá de excelentes”. Façam mais passeios, adoramos! (Ednea e família).

Memória Fotográfica

Há 10 anos, na sala do CBG – 22.09.2008


E>D: associados Gustavo Almeida Magalhães de Lemos, Regina Cascão Viana, Paulo Roberto Gavião, Luiz Alberto Costa Fernandes – Dom Beto e Antonio Cesar Xavier